Um tribunal federal na Nigéria emitiu uma decisão que protege uma jovem de 22 anos, conhecida como Sarah, contra possíveis perseguições por parte da polícia religiosa islâmica Hisbah. Residente do estado de Kano, Sarah fugiu de casa em 2025 para escapar de um casamento forçado e optou por se converter ao cristianismo. A sentença, divulgada em agosto de 2026, enfatiza o direito à liberdade religiosa e à dignidade humana, aspectos fundamentais que devem ser respeitados no país.
A Hisbah, força de segurança islâmica, atua em diversos estados do norte da Nigéria com a missão de assegurar a aplicação da Sharia, a lei que se fundamenta nos princípios do islamismo. Essa polícia é responsável por fiscalizar comportamentos e códigos morais. Contudo, tribunais superiores têm reiterado a ausência de autoridade legal da Hisbah sobre cidadãos que não são muçulmanos. No caso que envolve Sarah, a justiça considerou que a tentativa de interferência na vida da jovem, que escolheu mudar de fé e rejeitar um casamento arranjado, constituiu uma violação de direitos humanos.
Após a morte de seus pais, Sarah passou a viver sob a tutela de seus irmãos mais velhos, que a pressionaram para aceitar o casamento. Em 2025, em meio a abusos físicos e psicológicos, ela decidiu fugir. Durante a fuga, foi detida pela Hisbah por quatro dias, onde relatou ter sido espancada e coagida. Após sua libertação, a jovem encontrou abrigo com uma família cristã, os Abara, e, a partir desse momento, decidiu se converter ao cristianismo. Essa mudança de fé gerou acusação de sequestro contra aqueles que a ajudaram, resultando em um processo judicial complexo.
O Tribunal Federal Superior da Nigéria classificou a ação das autoridades locais como uma violação dos direitos fundamentais de Sarah. A sentença não só proibiu qualquer tentativa de prisão da jovem em razão de sua escolha religiosa, como também determinou que ela receba uma compensação financeira pelos danos sofridos. Para organizações de direitos humanos que monitoram a situação, essa decisão judicial representa um avanço significativo, confirmando que a legislação civil protege o direito de cada cidadão nigeriano de escolher sua religião livremente.
Entretanto, o caso de Sarah não é único, refletindo um padrão de violência e repressão contra indivíduos que se convertem no norte da Nigéria. Em 2021, o pastor Yohanna Shuaibu foi assassinado por uma multidão após ser falsamente acusado de converter um muçulmano. Outro caso marcante ocorreu em 2018, quando a estudante Nabila Umar Sanda foi detida por forças de segurança em função de sua mudança de fé. Esses episódios evidenciam a tensão persistente entre as normas religiosas locais e a constituição federal, que deveria assegurar a convivência pacífica e a liberdade de culto a todos os cidadãos.




