A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ocorrida nesta terça-feira (16), pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), está gerando ampla repercussão na imprensa internacional. Eduardo foi sentenciado a quatro anos de prisão em regime semiaberto e a uma inelegibilidade de oito anos, em razão de acusações de coação no curso do processo.
De acordo com a agência EFE, a condenação está relacionada aos esforços de Eduardo junto ao governo dos Estados Unidos para impor sanções ao Brasil, durante o processo que envolveu seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no ano passado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A EFE também ressaltou que, no ano passado, os EUA impuseram sanções a vários ministros do STF que participaram do julgamento de Jair Bolsonaro.
A reportagem da agência destacou a composição da Primeira Turma do Supremo, formada por juízes progressistas, incluindo Cristino Zanin, que foi advogado de Luiz Inácio Lula da Silva, e Flávio Dino, ex-ministro do governo Lula. Essa relação próxima entre os juízes e Lula foi um ponto enfatizado na cobertura da EFE.
O jornal francês Le Monde abordou a amizade entre a família Bolsonaro e o ex-presidente americano Donald Trump, que no ano passado implementou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Essa medida foi parcialmente suspensa devido à inflação nos EUA e a uma decisão da Suprema Corte americana que identificou irregularidades no tarifaço global imposto em 2025. Contudo, no início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a reinstauração de tarifas contra o Brasil, citando novos argumentos.
As relações entre Brasília e Washington estão em um momento delicado, especialmente após Trump ter se encontrado com Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, que tem buscado apoio do governo americano para seu pai. Ele comparou o processo que envolve Jair Bolsonaro a uma 'caça às bruxas'.
A agência Associated Press também comentou sobre a relação de Trump com a família Bolsonaro, ressaltando que o presidente dos EUA impôs a tarifa de 50% em protesto contra o processo judicial que levou à condenação de Jair Bolsonaro por tentar reverter sua derrota eleitoral para Lula em 2022. Embora as relações entre Trump e Lula pareçam ter se amenizado após uma visita do presidente brasileiro à Casa Branca em maio, o governo dos EUA voltou a sugerir tarifas de 25% sobre importações brasileiras em junho, alegando práticas comerciais abusivas por parte do Brasil.




