O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia manifestou forte descontentamento em relação ao presidente do Equador, Daniel Noboa, qualificando como "enganosa" a decisão de suspender tarifas sobre produtos colombianos. Essa situação gerou uma crise diplomática, com o governo de Gustavo Petro denunciando uma interferência deliberada de Noboa no processo eleitoral colombiano.
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a intromissão de um líder estrangeiro no futuro democrático de outro Estado representa uma violação do princípio da não intervenção nos assuntos internos. Essa ação é considerada uma ameaça à soberania nacional e um ataque ao sistema democrático. Até o momento, o gabinete de Noboa não se manifestou sobre as acusações.
A acusação de ingerência política foi impulsionada pela forma e pelo timing da declaração do líder equatoriano. Noboa anunciou a retirada das tarifas em uma videochamada gravada com o candidato presidencial da direita, Abelardo de la Espriella. O vídeo foi amplamente compartilhado nas redes sociais, dois dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais colombianas, o que levou o governo de Gustavo Petro a interpretar a ação como uma tentativa de favorecer a oposição e influenciar o resultado das urnas.
Além de criticar o que considera uma estratégia eleitoral, a diplomacia colombiana refutou a narrativa de Noboa, que caracterizou a isenção tarifária, com início previsto para 1º de junho, como um gesto de "boa vontade". O governo colombiano esclareceu que a decisão do Equador é, na verdade, uma obrigação legal, resultante de uma determinação da Secretaria-Geral da Comunidade Andina, que havia estabelecido um prazo para a remoção das barreiras comerciais, que expirou em 21 de maio.
Em comunicado, Bogotá destacou que "mascarar" essa imposição legal como uma concessão voluntária distorce a realidade institucional e prejudica as relações bilaterais entre os dois países.




