No dia 6 de junho, o cardeal Michael Czerny, natural da cidade de Brno, retornará à sua terra natal para liderar a cerimônia de beatificação de dois padres que foram executados pelo regime comunista, então vigente na Tchecoslováquia. Czerny, que atualmente ocupa a posição de prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, expressou sua emoção ao voltar ao local onde nasceu, destacando a importância desse retorno em sua vida.
O cardeal, que completou 80 anos, emigrou com sua família para o Canadá devido à opressão comunista. Embora tenha memórias da década de 1950 em Montreal, ele ressaltou que nunca soube o que realmente acontecia por trás da Cortina de Ferro. A Diocese de Brno, que celebrará seu 250º aniversário no próximo ano, espera receber milhares de visitantes durante a cerimônia, que ocorrerá em um centro de exposições da cidade, onde um programa cultural e espiritual está programado para o dia.
A beatificação de Jan Bula, nascido em 1920, e Václav Drbola, nascido em 1912, representa um marco significativo para a Diocese de Brno. Ambos foram alvo de um regime que, após tomar o poder em 1948, intensificou a repressão contra a Igreja. Acusados de envolvimento em um tiroteio que resultou na morte de três comunistas, foram presos e condenados à morte em julgamentos considerados injustos. Esta será a primeira vez que a diocese realiza um evento desse tipo em sua história.
Para preparar os fiéis, a diocese disponibilizou diversos materiais educativos e catequéticos, além de um filme animado de seis minutos sobre a vida dos mártires, produzido com o uso de inteligência artificial, e um documentário. Cerca de 40 catequistas também realizaram uma peregrinação a locais que têm ligação com os dois padres, buscando uma experiência mais próxima de sua vida e legado.
Eva Vybíralová, do Instituto para o Estudo de Regimes Totalitários, destacou a popularidade de Bula e Drbola entre seus paroquianos e a importância de sua memória na comunidade, que perdura até hoje. Além disso, o bispo Felix Davídek, que foi secretamente ordenado na Tchecoslováquia e conhecia Bula, acreditava que ele era um forte candidato à canonização e um símbolo de resistência da Igreja secreta na época.
Ambos os padres foram reabilitados em 1990 e se tornarão os primeiros mártires beatificados em território da atual República Tcheca, representando um importante reconhecimento das vítimas dos regimes totalitários do século XX.




