O senador Iván Cepeda, que foi derrotado nas recentes eleições presidenciais da Colômbia, manifestou sua intenção de utilizar a "desobediência civil" como forma de oposição ao presidente eleito, Abelardo de la Espriella. Cepeda, integrante do Pacto Histórico, uma coalizão política de esquerda e centro-esquerda sob a liderança de Gustavo Petro, argumenta que o processo eleitoral apresentou diversas irregularidades, o que motiva sua resistência.
Durante uma entrevista, Cepeda expressou preocupação especialmente em relação à dupla cidadania de Espriella, que também é cidadão dos Estados Unidos. Ele ressaltou que, ao obter a cidadania americana, Espriella teria se comprometido a priorizar a Constituição dos EUA sobre outros interesses, o que, , comprometeria a defesa da soberania nacional. "Isso significa que Espriella já enfrenta graves obstáculos para ser um presidente que defenda nossa soberania nacional", afirmou.
Além disso, o senador já havia solicitado a Espriella que renunciasse à sua cidadania americana e esclarecesse se havia atuado em algum momento para agências de inteligência dos Estados Unidos, uma suspeita que não foi comprovada. Cepeda também contestou a apuração dos votos, apontando uma discrepância de cerca de 800 mil votos no resultado divulgado no dia da eleição. Apesar das suas dúvidas, ele reconheceu o resultado oficial.
"Embora tenhamos dúvidas razoáveis, reconhecemos os resultados com grandeza democrática, apesar da diferença ser tão pequena", disse Cepeda. Ele fez questão de afirmar que sua contestação não visa anular o resultado das urnas, mas sim questionar a capacidade de Espriella em respeitar a Constituição colombiana em função de sua dupla nacionalidade e das suspeitas levantadas durante a campanha.
Na disputa, Espriella venceu Cepeda por aproximadamente 250 mil votos, sendo este um dos pleitos mais acirrados da história política recente da Colômbia. Cepeda não hesitou em afirmar que a eleição foi marcada por intervenções externas, destacando que as eleições na América Latina, de modo geral, têm sido alvo de ingerências, e que no caso colombiano houve uma intervenção reconhecida.
O senador também criticou Espriella, caracterizando-o como representante da extrema-direita, que, segundo ele, conta com apoio financeiro e político oriundo de Miami e dos Estados Unidos. Ele ainda mencionou declarações atribuídas ao presidente eleito, que teriam como objetivo extraditar Gustavo Petro para os EUA e "estripar" a esquerda colombiana. Cepeda concluiu reiterando que sua contestação se baseia nas capacidades de governança de Espriella e não no resultado das eleições.




