Neste domingo (26), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador Julio Bitelli, que representa o país na Argentina, para retornar a Brasília a fim de prestar esclarecimentos. A decisão foi uma resposta às críticas feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, a Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações ocorreram durante a convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, no último sábado (25), em São Paulo.
Chamar um embaixador para consultas é uma medida considerada severa no meio diplomático, geralmente adotada em situações de crise institucional entre países. Durante seu discurso na convenção do PL, Milei fez afirmações contundentes, criticando Moraes por ter negado seu pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob prisão domiciliar. O presidente da Argentina se referiu ao magistrado com termos depreciativos, como “careca lixo”.
Além de atacar Moraes, Milei também se dirigiu a Lula, chamando-o de "presidiário" e acusando-o de promover o comunismo na América Latina. Em sua fala, o presidente argentino defendeu Flávio Bolsonaro como uma alternativa ao governo atual, afirmando: "O Brasil ainda não experimentou as consequências mais desastrosas desse modelo, mas poderá experimentar se não mudar de rumo. Confiamos em você, Flávio, para parar com essa palhaçada socialista!". A cerimônia ocorreu no estádio do Pacaembu, em um ambiente de forte mobilização política.
Em resposta às declarações de Milei, o presidente do STF, Edson Fachin, publicou uma nota oficial repudiando as manifestações, classificando-as como "incompatíveis com a civilidade". Essa não é a primeira vez que o embaixador Julio Bitelli é convocado pelo Itamaraty em meio a tensões diplomáticas com o governo argentino. Em julho de 2024, ele também havia prestado esclarecimentos sobre as relações entre os dois países, que eram alvo de atritos na época.
A situação atual reflete um momento delicado nas relações entre o Brasil e a Argentina, especialmente com a ascensão de Milei ao poder, que já tem mostrado posicionamentos desafiadores em relação a líderes brasileiros e suas políticas. A convocação de Bitelli pode ser vista como uma tentativa do governo brasileiro de reafirmar sua postura diante das críticas e de buscar um alinhamento nas relações diplomáticas com Buenos Aires.




