Aloysio Nunes, que liderou o Itamaraty durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, expressou que o Brasil está "sob ataque" após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora brasileira em Washington. Essa declaração surge em um contexto de crescente tensão diplomática entre os dois países. A análise é do especialista em Política, Pedro Venceslau.
De acordo com Nunes, a decisão dos Estados Unidos desrespeita um protocolo consagrado na Convenção de Viena, que exige que o governo que pretende nomear um embaixador faça uma consulta reservada ao país receptor antes de qualquer anúncio. Venceslau, ao comentar a fala de Nunes, esclareceu que esse procedimento é geralmente seguido para avaliar o perfil do indicado, permitindo que o governo receptor dê seu consentimento antes do anúncio público.
Nunes apontou que a omissão desse protocolo por parte dos Estados Unidos constitui uma "provocação direta" ao Brasil. Ele destacou dois pontos que evidenciam essa provocação: o anúncio do novo embaixador foi feito antes da consulta e o perfil do indicado teria um alinhamento com a ala mais radical do trumpismo.
O ex-ministro classificou a atitude norte-americana como uma "grosseria e provocação", ressaltando que o Brasil enfrenta ataques tanto de Milei, pelo lado latino-americano, quanto dos Estados Unidos. Para Nunes, essa situação representa uma concertação da direita na região.
Entretanto, a análise de Nunes não é compartilhada por todos. Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil em Washington, comentou que a demora do Itamaraty em conceder o agrément ao nome indicado pelo governo americano foi um erro. Em sua visão, embora o cenário atual seja desafiador, a escalada de tensões poderia ter sido evitada se a indicação tivesse sido aprovada previamente.




