A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, protocolou cinco pedidos de liberdade, todos negados pela Justiça. Os magistrados, tanto em primeira instância quanto em instâncias superiores, mantiveram a decisão de prisão preventiva, citando a "extrema gravidade e crueldade do crime contra a ordem pública". Também foi destacado que o sistema prisional e a rede pública de saúde garantiam o necessário socorro ao preso.
Alcides Bernal faleceu às 0h35 do dia 13 de julho de 2026, na Santa Casa de Campo Grande, após ter sido transferido para a unidade de saúde devido a problemas de saúde que surgiram enquanto estava detido. Ele estava preso na Sala de Estado-Maior do Presídio Militar desde 24 de março de 2026, após ser flagrado matando a tiros o agente tributário estadual Roberto Carlos Mazzini.
As tentativas de Bernal para conseguir a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar começaram logo após sua detenção, com duas negativas na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, uma no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e outra no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 30 de junho de 2026. O último pedido, protocolado em 8 de julho de 2026, reforçava a alegação de "prova nova" com base no agravamento do estado cardíaco do ex-prefeito.
A médica Pâmela Mantovani Baldissera Lacoski atestou em laudos que Bernal, de 60 anos, apresentava um histórico de hipertensão, diabetes, três infartos e quatro stents coronarianos. Exames feitos em junho e um cateterismo em 1º de julho revelaram doença arterial coronariana multiarterial grave, com lesões de até 90% nas artérias, além de risco elevado de infarto e arritmias severas. A recomendação médica solicitava um repouso relativo por 30 dias.
A defesa também apresentou um ofício da direção do Presídio Militar, que reconheceu a falta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cardiologistas disponíveis e ambulância na unidade. Apesar das evidências apresentadas, os pedidos de prisão domiciliar foram negados, com o entendimento de que a decisão judicial era fundamentada na gravidade dos crimes cometidos por Bernal.
O ex-prefeito foi acusado de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo e invasão de domicílio. A decisão de pronúncia foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Garcete em 26 de junho de 2026, reconhecendo a existência de provas suficientes para levar o caso a julgamento. A defesa recorreu, insistindo na tese de legítima defesa, considerando o incidente um "trágico mal-entendido". Até a morte de Bernal, não havia condenação definitiva no processo.




