O contato visual é um aspecto essencial nas interações sociais, frequentemente mencionado como uma norma durante conversas. No entanto, a quantidade adequada de olhar nos olhos do interlocutor ainda gera dúvidas e não existe uma regra universal a respeito.
Judith Hall, psicóloga social e professora emérita de psicologia da Northeastern University, em Boston, explica que as pessoas tendem a olhar mais enquanto escutam do que enquanto falam. Este comportamento se deve ao movimento sutil dos olhos que ocorre naturalmente durante as interações. Hall destaca que quantificar a quantidade ideal de contato visual é uma tarefa difícil, pois as percepções sobre o que é excessivo ou insuficiente podem variar.
Além de ser uma questão de educação, o contato visual desempenha um papel crucial na conexão humana. Melissa J. Perry, reitora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade George Mason, enfatiza que olhar nos olhos do outro não é apenas uma cortesia social, mas uma interação que ativa o cérebro e fortalece a ligação entre as pessoas. Ela ressalta que os seres humanos são naturalmente predispostos a obter informações sensoriais através do contato visual e de outros sinais não verbais, como expressões faciais e postura.
Perry acrescenta que, do ponto de vista neurobiológico, o cérebro responde à autenticidade e empatia do interlocutor antes mesmo de formar uma opinião sobre suas palavras. O contato visual também está associado à liberação de oxitocina, um hormônio que tem efeitos positivos nas interações sociais.
Entretanto, a quantidade de contato visual considerada adequada pode variar entre indivíduos. Pessoas com condições de neurodesenvolvimento, como o autismo, costumam evitar esse tipo de interação, uma vez que o excesso de estímulos pode ser aversivo, como observa Paula Niedenthal. Essa evitação pode ser uma estratégia adaptativa para a regulação emocional.
Para aqueles que se sentem desconfortáveis com a intensidade do olhar que recebem ou oferecem, a conscientização sobre a importância do contato visual e das comunicações não verbais é um primeiro passo para melhorar a interação. Perry afirma que essa percepção pode ser mais impactante do que muitos imaginam, ajudando a construir conexões mais significativas e empáticas entre as pessoas.




