A reforma tributária do consumo vai além da criação de novos tributos e da simplificação do sistema. Considerada uma das principais mudanças na estrutura econômica do país nas últimas décadas, a reforma altera profundamente a lógica de formação de preços das empresas no Brasil. A partir de 2027, a formação de preços precisa considerar se o contratante é pessoa física, microempresa ou empresa de maior porte, um aspecto que muda o custo percebido do serviço e pode definir quem permanece competitivo no mercado.
A nova lógica tende a impactar mais os pequenos negócios, que enfrentarão mais dificuldades para gerar crédito tributário na comparação com as grandes empresas. Se dois fornecedores têm preços parecidos, mas um deles gera mais crédito tributário para o contratante, esse fornecedor se torna mais competitivo, mesmo que o preço nominal seja mais alto.
O efeito da reforma não será uniforme entre os setores. Segmentos da economia como varejo e indústria tendem a sentir menos o impacto, já que operam em cadeias longas de compra e venda, com geração recorrente de crédito tributário. Por outro lado, o setor de serviços enfrenta mais desafios, pois opera em cadeias de suprimentos curtas, com poucos insumos tributáveis e baixa geração de crédito ao longo do processo.
No geral, profissionais liberais, desenvolvedores, arquitetos e prestadores de serviços têm poucos insumos que geram crédito de imposto, já que a maior parte dos seus custos está concentrada em mão de obra. Com isso, o tributo tende a se concentrar na ponta da prestação, reduzindo a capacidade de compensação ao longo da cadeia. Na prática, esses negócios podem acabar pagando mais imposto ou tornando-se menos competitivos.




