A agenda econômica do presidente argentino Javier Milei tem se tornado uma referência significativa para a campanha eleitoral no Brasil em 2026. Vários candidatos, tanto a cargos majoritários quanto legislativos, estão incorporando propostas que incluem cortes drásticos nas despesas públicas, privatizações e desregulamentação, com o objetivo de implementar um modelo libertário que prioriza a redução do tamanho do Estado e a diminuição de impostos.
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, apresentou o projeto denominado "Tesouraço", inspirado na "motosserra" de Milei. Esta proposta visa uma redução substancial do tamanho do Estado como uma medida fundamental para a diminuição futura de impostos. Entre as principais iniciativas, Bolsonaro sugere o corte de ao menos dez ministérios, a eliminação de cargos comissionados e a luta contra os supersalários. Adicionalmente, ele propõe um "revogaço regulatório" para simplificar normas, além de uma reforma trabalhista que introduza modelos mais flexíveis de contratação, alinhando-se à recente reforma aprovada na Argentina.
Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição em São Paulo, adota uma agenda focada na eficiência do Estado e na privatização, também inspirada nas ideias de Milei, com quem discutiu políticas de austeridade em julho. No Paraná, Sergio Moro utiliza expressões como "faca ou motosserra" para ilustrar sua intenção de eliminar a burocracia que impede investimentos. Em Minas Gerais, Romeu Zema propõe um "choque fiscal" para reduzir a máquina pública e ampliar parcerias com a iniciativa privada nos setores de saúde e educação, embora tenha feito algumas ressalvas sobre as críticas políticas de Milei.
Nikolas Ferreira, inspirado no projeto argentino conhecido como "grillete fiscal", propõe a criação de mecanismos automáticos para evitar desequilíbrios nas contas públicas. Caso o Brasil não cumpra as metas fiscais durante dois anos ou se a dívida aumentar rapidamente, esse mecanismo cortaria gastos não essenciais e reduziria os salários de autoridades. Em situações extremas, os vencimentos de deputados, senadores, ministros e do presidente poderiam ser reduzidos pela metade ou até suspensos. Essa proposta busca garantir que a classe política experimente diretamente as consequências de crises financeiras antes que elas afetem a população.
Renan Santos manifesta a intenção de seguir a estratégia de Milei, concentrando as reformas econômicas mais desafiadoras e impopulares logo no início de seu mandato. Ele enfatiza a necessidade de aplicar um "remédio amargo", que inclui mudanças significativas no regime fiscal e na Previdência, esclarecendo aos eleitores que os resultados positivos só surgirão após o ajuste das contas. Seu plano inclui o enfrentamento de privilégios e a abertura de setores de infraestrutura à participação privada, acreditando que a sociedade brasileira está disposta a aceitar sacrifícios temporários em busca de estabilidade.




