Dois Ativistas de Hong Kong, Lee Cheuk-yan, de 69 anos, e Chow Hang-tung, de 41, foram considerados culpados de incitação à subversão do poder estatal ao organizarem vigílias anuais em memória das vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial. As sentenças para ambos serão anunciadas em uma data ainda não definida. Um terceiro réu, Albert Ho, de 74 anos, já havia se declarado culpado em janeiro deste ano.
Uma declaração emitida pelo tribunal de Hong Kong nesta sexta-feira (21) indicou que Lee e Chow “incitaram outras pessoas a organizar, planejar, cometer ou participar de atos por meios ilegais com o objetivo de subverter o poder estatal”. Este julgamento ocorre em um contexto em que Hong Kong era um dos poucos lugares na China onde homenagens às vítimas do massacre eram permitidas, antes que as autoridades locais proibissem esses atos em 2020, alegando razões ligadas à Covid-19. Mesmo com o fim da pandemia, as homenagens não foram retomadas.
As condenações dos ativistas estão fundamentadas em uma rigorosa lei de segurança nacional que foi implementada no território há seis anos. Com isso, eles enfrentam a possibilidade de serem sentenciados a até dez anos de prisão. Sarah Brooks, vice-diretora regional da Anistia Internacional, manifestou que os dois ativistas não cometeram nenhum crime, ressaltando que “Chow Hang-tung e Lee Cheuk-yan são prisioneiros de consciência que jamais deveriam ter sido processados. Eles devem ser libertados imediata e incondicionalmente”.
O Massacre da Praça da Paz Celestial, que ocorreu em Pequim em 1989, resultou na morte de mais de 2 mil pessoas, após uma resposta violenta da ditadura comunista a protestos que clamavam por democracia. Desde então, as vigílias em Hong Kong se tornaram um símbolo de resistência e lembrança das atrocidades cometidas durante aquele período histórico.




