A Conferência Episcopal Mexicana (CEM) manifestou sua preocupação em relação à recente proposta do governo mexicano que visa regular os direitos das audiências em rádio e televisão. Os bispos emitiram um alerta de que a medida, que está em consulta pública até 21 de agosto de 2026, pode criar espaço para censura por parte do governo ao estabelecer critérios oficiais sobre o que é considerado verdade, o que pode comprometer a liberdade editorial e a liberdade religiosa.
Os bispos expressaram temores de que a liberdade de expressão possa ser condicionada a critérios de veracidade determinados pelo governo. Eles destacaram que a verdade não deve ser imposta por autoridades, mas sim buscada através de um debate público aberto. A preocupação central reside na possibilidade de que órgãos administrativos assumam o papel de árbitros sobre o que pode ou não ser expresso, especialmente em relação a convicções e crenças pessoais.
Um ponto importante levantado pela Igreja é que a legislação mexicana já restringe associações religiosas de obter licenças para operar emissoras de rádio ou TV. Assim, os bispos enfatizam que as novas diretrizes devem assegurar o pluralismo, respeitando as diversas convicções de fé. Eles alertam que ninguém deve ser submetido a avaliações administrativas sobre a veracidade de suas crenças, temendo que o governo utilize expressões vagas, como 'informação fora de contexto', para rotular ou sancionar conteúdos de natureza religiosa, o que seria incompatível com a Constituição e com tratados internacionais que garantem a liberdade de consciência.
Embora reconheçam a legitimidade da proteção das audiências, os bispos afirmam que a abordagem não deve envolver censura. Em vez disso, sugerem que o foco seja a promoção da 'diligência devida' no jornalismo, que abrange a verificação de dados e a correção de erros, ao invés de punir opiniões e discursos. A Igreja ofereceu apoio em programas de alfabetização midiática e educação, ajudando a capacitar os cidadãos a exercerem o pensamento crítico.
Os líderes religiosos consideram fundamental que o público participe ativamente da consulta promovida pela Comissão Reguladora de Telecomunicações antes do encerramento do prazo. Eles reforçam que a democracia é fortalecida pela participação popular e pela corresponsabilidade em prol do bem comum, e não pelo silêncio. Além de exigir maior transparência por parte do governo, os bispos lembram que cada indivíduo tem a responsabilidade de verificar informações antes de repassá-las, evitando a disseminação de conteúdos que possam causar confusão ou prejudicar outros, sempre mantendo a ética como prioridade no consumo diário de mídia.




