Na última terça-feira (18), durante a apresentação de seu programa nacional de saúde, o candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), fez duras críticas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Caiado afirmou que Ferreira "entubou" após ter defendido o uso da hidroxicloroquina durante a pandemia de Covid-19, sugerindo que o parlamentar não se manifestou mais sobre o assunto. "Ele ficou quieto depois. Entubou", declarou Caiado.
O evento contou com a participação do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, que colaborou na elaboração das propostas apresentadas por Caiado. O candidato enfatizou a importância de conviver em um processo democrático com pessoas que não confiam na ciência, mas apontou os enormes prejuízos que essa desconfiança pode causar, especialmente em momentos críticos, como o enfrentamento da pandemia.
A discussão sobre a hidroxicloroquina remete ao período mais grave da Covid-19, quando a substância foi promovida por alguns setores políticos como uma alternativa para o tratamento da doença. Diversos estudos posteriores, no entanto, não conseguiram comprovar a eficácia do medicamento, levando órgãos e entidades científicas a desaconselhar seu uso para esse fim. Documentos oficiais revelam que a hidroxicloroquina chegou a ser incluída no que foi chamado de "tratamento precoce" no Brasil, apesar da falta de evidências científicas que respaldassem sua utilização.
Caiado também se referiu a uma postagem recente de Nikolas Ferreira, na qual o deputado comentou sobre o depoimento de Anthony Fauci ao Senado dos Estados Unidos. Em um vídeo, Ferreira alegou que documentos atribuídos ao médico americano mostrariam contradições entre suas falas privadas e as orientações que ele defendeu publicamente durante a pandemia.
Além disso, Nikolas Ferreira voltou a defender a hidroxicloroquina, afirmando que Fauci teria alterado sua posição sobre o medicamento após o apoio de Donald Trump. O deputado sugeriu que a substância poderia ter salvado milhões de vidas. No entanto, essa interpretação é contestada por especialistas e reportagens de checagem, que apontam que Fauci já questionava a eficácia da hidroxicloroquina desde o início da pandemia. Estudos clínicos realizados posteriormente também não encontraram benefícios do medicamento no tratamento ou na prevenção da Covid-19.




