O arcebispo Richard Moth, de Westminster, na Inglaterra, fez um apelo contundente para que governos e a comunidade internacional se mobilizem em apoio às pessoas que enfrentam opressão por causa de sua fé. Moth, que preside a Conferência dos Bispos Católicos da Inglaterra e do País de Gales, pediu que católicos e simpatizantes assinem uma petição destinada a pressionar líderes mundiais a garantir o cumprimento do Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assegura a liberdade religiosa.
Em declaração divulgada em 18 de agosto, Moth enfatizou que "a liberdade religiosa é um direito, não um privilégio". O artigo, que foi criado e adotado em 1948, afirma o direito à liberdade de religião ou crença e foi ratificado pelas Nações Unidas, tornando-se uma norma reconhecida globalmente. O arcebispo citou o Concílio Vaticano II, que reitera que essa liberdade implica que todos devem estar livres de coerção, garantindo que ninguém seja forçado a agir contra suas crenças.
A petição é parte de uma campanha promovida pela instituição de caridade católica Ajuda à Igreja que Sofre (ACN, na sigla em inglês). A ação visa defender o Artigo 18 em um momento significativo, já que se aproxima o décimo aniversário da Quarta-Feira Vermelha, uma iniciativa global anual da ACN que busca aumentar a conscientização sobre a perseguição religiosa.
Atualmente, mais de 5 bilhões de indivíduos vivem em países onde a perseguição, opressão e discriminação limitam a liberdade religiosa, incluindo cerca de 200 milhões de cristãos. Moth destacou que, apesar do reconhecimento do Artigo 18, sua aplicação é frequentemente desconsiderada. Ele afirmou que "homens e mulheres são aprisionados, outros são expulsos de suas casas ou até mortos, simplesmente por causa de suas crenças pacificamente mantidas".
O arcebispo também abordou as situações específicas de vulnerabilidade enfrentadas por mulheres e meninas, que muitas vezes são sequestradas e forçadas a renunciar sua fé, além de crianças que são privadas do direito de aprender sobre suas crenças. Moth conclamou a solidariedade com aqueles que sofrem por suas convicções, ressaltando que a liberdade religiosa deve ser reconhecida como um direito humano universal.
Ele reiterou um apelo feito pelo Papa Leão XIV, enfatizando que a liberdade religiosa não é apenas um direito legal ou um privilégio concedido pelos governos, mas uma condição essencial para a verdadeira reconciliação. Citando o Santo Padre, Moth afirmou que não pode haver paz sem liberdade de religião, liberdade de pensamento, liberdade de expressão e respeito pelas opiniões alheias.




