A Ditadura da Nicarágua, liderada por Daniel Ortega, divulgou no dia 15 de agosto de 2026 um vídeo do bispo emérito de Estelí, Abelardo Mata, que estava desaparecido desde o final de junho. Nas imagens, o religioso de 80 anos aparece em sua propriedade em Tisma, conversando com um parlamentar alinhado ao governo. Embora o regime afirme que Mata está bem, críticos e exilados levantam a suspeita de que a gravação é uma encenação para encobrir seu cárcere privado.
O vídeo, que tem cerca de nove minutos, mostra Mata dialogando com o jornalista e parlamentar pró-governo Adolfo Pastrán. Durante a conversa, o bispo menciona que está vivendo uma vida monástica, focada em estudos, orações e no cuidado de suas plantações. Apesar das afirmações de Pastrán sobre a vitalidade do religioso, a real data da gravação permanece desconhecida, e o regime utiliza esse material para reforçar a narrativa de que o bispo retornou ao lar em boas condições após uma investigação sobre a origem de suas propriedades.
Críticos, incluindo o padre Edwing Román e o ex-embaixador Arturo McFields, afirmam que o vídeo segue o mesmo padrão de encenação utilizado pelo governo em situações anteriores, como no caso do bispo Rolando Álvarez. A estratégia consiste em apresentar um religioso sob custódia como se estivesse livre e saudável, com o objetivo de diminuir a pressão internacional sobre o regime. Além disso, destacam que o vídeo ignora o cerco policial em torno da propriedade de Mata e sua detenção ao sair de uma clínica em Estelí, durante a qual ele permaneceu incomunicável por semanas.
A Igreja Católica na Nicarágua está sob um constante estado de assédio por parte do governo de Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo. Líderes religiosos, como o bispo Mata, frequentemente enfrentam investigações arbitrárias sobre seus bens e laços familiares, táticas empregadas para deslegitimar suas figuras. Um dos casos mais notórios foi o do bispo Rolando Álvarez, que ficou preso por quase um ano e foi expulso do país em 2024.
No dia em que Mata completa 50 anos de ordenação sacerdotal, grupos de nicaraguenses no exílio organizaram uma jornada global de oração. Eles fazem um apelo a paróquias tanto dentro quanto fora da Nicarágua para celebraram missas e rezarem o rosário, buscando o bem-estar e a libertação rápida do bispo. A mobilização visa apoiar o pastor que liderou a Diocese de Estelí por três décadas, agora sob restrições de liberdade impostas pelo governo, o que pode representar riscos à sua saúde e segurança.




