Motoristas que pretendem cruzar a fronteira entre Brasil e Bolívia, na região de Corumbá, devem estar cientes das dificuldades que podem enfrentar devido à crise de abastecimento de combustíveis no país vizinho. Em diversas cidades, como La Paz, Cochabamba e Santa Cruz, a escassez de diesel tem gerado filas que podem durar até três dias, com alguns postos ficando completamente sem produto. Para não perder a vez, muitos motoristas permanecem dentro dos veículos enquanto aguardam a oportunidade de abastecer.
A situação crítica no setor de combustíveis também afeta a agricultura boliviana, que se encontra em período de colheita. No município de Fernández Alonso, localizado no norte de Santa Cruz, agricultores realizaram bloqueios em estradas em protesto contra a falta de diesel. Os produtores relatam que o combustível necessário para suas atividades não está sendo entregue há vários dias, agravando a situação no campo.
A Asosur (Associação de Varejistas Privados de Hidrocarbonetos de Santa Cruz) destacou que a quantidade de combustíveis enviados ao departamento caiu consideravelmente. Em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (13), a gerente da associação, Susy Dorado, declarou que Santa Cruz necessita de cerca de 3,5 milhões de litros de gasolina e uma quantidade similar de diesel diariamente. Contudo, a distribuição atual é insuficiente para atender essa demanda.
Além dos impactos para a população local, a crise também afetou turistas brasileiros. Um ônibus fretado que transportava torcedores do São Paulo ficou parado por três dias em busca de combustível para retornar ao Brasil, após um jogo contra o Bolívar em La Paz, disputado na terça-feira (11) pela Copa Sul-Americana. O passageiro Rubens Velloso relatou que, ao chegar à fronteira, os viajantes enfrentaram diversas dificuldades durante a espera para abastecer o ônibus.
Rubens mencionou que, após longas horas na fila, os passageiros estavam preocupados com a possibilidade de não conseguirem voltar ao Brasil. O motorista do ônibus, conhecido como “Motora”, precisou até mesmo dormir na fila enquanto aguardava o abastecimento do veículo. A situação gerou apreensão entre os torcedores, que temiam ficar retidos na Bolívia.
Em meio a essa crise de abastecimento, o ministro da Economia da Bolívia, José Gabriel Espinoza, assegurou que a falta de combustíveis não é decorrente de problemas financeiros ou escassez de moeda estrangeira. De acordo com o ministro, os desafios enfrentados são atribuídos a “falhas logísticas” na distribuição dos combustíveis. A expectativa agora recai sobre um novo pronunciamento da YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), que deverá esclarecer a situação do abastecimento e as medidas a serem adotadas para tentar normalizar a distribuição de gasolina e diesel no país.




