A Motorola opera com duas fábricas no Brasil, localizadas em Jaguariúna (SP) e na Zona Franca de Manaus, consideradas pela companhia como unidades de alta produtividade e qualidade. Em entrevista ao programa "É Negócio" da CNN, Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola Brasil, afirmou que o desempenho das fábricas brasileiras é comparável ao de qualquer outra unidade da empresa no mundo.
Entretanto, as plantas estão funcionando abaixo do seu potencial. Vidigal destacou que as unidades são maiores do que a produção atual, que é voltada exclusivamente para o mercado interno, devido à elevada carga tributária que inviabiliza as exportações. Ele exemplificou que é mais econômico para um consumidor no Chile adquirir um produto da Motorola vindo da China do que um fabricado localmente.
Atualmente, a produção das fábricas é de aproximadamente 11 a 12 milhões de unidades por ano, mas Vidigal acredita que seria viável alcançar 20 milhões se o Brasil conseguisse se tornar competitivo o suficiente para exportar para a América Latina. Ele enfatizou que a Motorola, sendo uma empresa global, pode atender cada mercado a partir da origem mais vantajosa, e lembrou que a fábrica de Jaguariúna já foi um dos principais exportadores do país no início da fabricação de smartphones no Brasil.
Sobre a perda de participação no mercado para concorrentes como iPhone e Samsung, Vidigal reconheceu que a Motorola passou por um ciclo de inovação perdido há cerca de 20 anos. No entanto, ele ressaltou a recuperação da marca, enquanto outras, como Nokia, Ericsson e Blackberry, deixaram de existir. Atualmente, a Motorola ocupa a segunda posição no Brasil, com cerca de um terço de participação em um mercado que movimenta aproximadamente 35 milhões de smartphones anualmente, posicionando o país como o quarto maior mercado do setor, atrás de Índia, China e Estados Unidos.
Vidigal também abordou a questão do contrabando, afirmando que, sem essa prática, as vendas da Motorola poderiam ser de 10% a 15% maiores, o que teria um impacto positivo na geração de empregos, na arrecadação de impostos e nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Em relação às expectativas sobre a reforma tributária, o presidente da Motorola avaliou que, embora a mudança não deva alterar significativamente a carga tributária, que atualmente gira em torno de 40% do preço final, pode aumentar a arrecadação ao reduzir o mercado informal. Uma das alterações esperadas é a responsabilização dos marketplaces pela coleta de impostos sobre as vendas realizadas em suas plataformas, dificultando a comercialização de produtos contrabandeados.




