A fabricante de robôs Unitree, originária da China, definiu o valor de sua oferta pública inicial (IPO) em 150,8 yuans por ação, com o intuito de arrecadar 6,1 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 904 milhões). As subscrições estão programadas para começar nesta segunda-feira (10). Caso a operação seja bem-sucedida, a Unitree se tornará a primeira empresa de robôs humanóides a ser listada na bolsa da China continental.
Fundada em 2016 pelo engenheiro Wang Xingxing, a Unitree, com sede em Hangzhou, conquistou relevância no mercado por meio de seus robôs quadrúpedes, popularmente conhecidos como cães-robôs. Os humanóides G1, H1 e R1 da empresa ganharam visibilidade mundial através de vídeos que mostravam suas habilidades em correr, dançar e realizar artes marciais. A companhia compete com gigantes como Tesla e Boston Dynamics, além de diversas startups chinesas que buscam desenvolver máquinas para atuação em fábricas e lares.
A receita da Unitree teve um crescimento expressivo, superando quatro vezes o valor anterior, alcançando quase 1,7 bilhão de yuans (US$ 252 milhões) em 2025. Diferentemente de muitas startups do setor de robótica, a Unitree apresenta lucros, com um lucro líquido ajustado estimado em cerca de 600 milhões de yuans. Em seu prospecto, a empresa revelou que as vendas internacionais representaram mais de 40% de sua receita nos últimos períodos analisados.
Os principais investidores da Unitree incluem a Meituan, uma das maiores plataformas de entrega de alimentos da China, que possui 9,65% das ações por meio de várias afiliadas. Outros investidores significativos são o HongShan Capital Group e a Matrix Partners China, com participações de 7,11% e 5,45%, respectivamente. Além disso, grandes corporações como Tencent, Alibaba, Ant Group, China Mobile e Geely também investiram na empresa durante uma rodada de financiamento em junho de 2025.
O prospecto da Unitree também menciona uma participação de 0,67% do Shenzhen Capital Group e sua subsidiária Shenzhen Innovation Capital. Um conjunto maior de fundos estatais, liderados pelo Fundo de Desenvolvimento da Indústria de Robótica de Pequim e pelo Fundo de Investimento na Internet da China, possui participações relevantes, com 3,83% e 2,11%, respectivamente.
O apelo crescente das empresas de robótica em direção à abertura de capital se dá pela necessidade de investimentos substanciais em engenheiros, dados para o treinamento de robôs, modelos de inteligência artificial e infraestrutura de produção, que ocorrem muito antes da confirmação da demanda por parte de indústrias ou residências. Os mercados públicos representam uma fonte crucial de capital, permitindo que as empresas avancem em suas inovações, enquanto o apoio governamental e a atenção dos investidores permanecem fortes.




