A diminuição na oferta de gado é um dos principais fatores que deve sustentar os preços do boi gordo durante o segundo semestre de 2023. Essa situação ocorre em um contexto de transformação no ciclo pecuário brasileiro, marcado por uma redução no ritmo dos abates. A consultoria StoneX indica que a escassez de animais disponíveis pode atenuar os impactos de uma eventual diminuição da demanda externa sobre os preços.
Após um primeiro trimestre caracterizado por abates acelerados, a oferta de gado apresentou uma contração a partir do segundo trimestre. Esse movimento se intensificou em julho e já começou a refletir nos preços do boi gordo, tanto no mercado físico quanto na formação dos contratos futuros. Com a redução no número de animais, os pecuaristas passaram a ter mais poder de negociação, revertendo a situação anterior em que a indústria exercia maior pressão sobre os preços.
Esse fenômeno ocorre em meio a uma virada no ciclo pecuário, caracterizada pela diminuição da oferta de gado para abate, após um período de maior disponibilização. A StoneX observou que a menor oferta eleva o custo da matéria-prima, enquanto o setor enfrenta o desafio de escoar a carne em um cenário de mudanças nas demandas externas. O mercado interno permanece robusto, e novas oportunidades podem surgir, mas a redução nas exportações para alguns mercados significativos pode exigir um redirecionamento na produção.
Os meses de agosto, setembro e outubro devem ser críticos para os ajustes no mercado, com a expectativa de que a escassez de animais continue a dar suporte às cotações. Nesse contexto, a indústria estará em busca de alternativas para absorver a produção de carne, enquanto a dinâmica do mercado pode se alterar, dado que, historicamente, o período entre julho e outubro é marcado por uma maior participação do gado de confinamento. No entanto, a oferta restrita de gado neste ano traz novos desafios para a formação dos preços.
Além disso, a evolução das exportações continuará a ser um fator relevante, mas não o único a influenciar o mercado. A expectativa é de que os embarques para a China se aproximem de patamares mínimos, com uma possível recuperação a partir de novembro, quando novos embarques serão contabilizados na cota de 2027. A internalização da carne na China requer um período de 45 a 60 dias, o que significa que a indústria deverá se preparar para essa retomada já em outubro, antecipando a compra de gado.
A experiência de 2026 pode levar a uma mudança nas estratégias do setor nos próximos anos, com a antecipação dos embarques para preencher a cota, o que pode alterar a sazonalidade das exportações e influenciar a disponibilidade de carne no mercado brasileiro, além de impactar a formação dos preços. Para o segundo semestre de 2026, a oferta de gado deve continuar sendo um aspecto crucial, com a expectativa de que a menor disponibilidade ajude a mitigar o impacto da queda nas exportações para a China, sustentando assim os preços do boi gordo.




