Diante do aumento das ações de fiscalização imigratória nos Estados Unidos, dois bispos católicos emitiram declarações enfatizando a importância da dignidade humana dos imigrantes, reconhecendo-os como filhos de Deus e pedindo uma reforma nas políticas de imigração. Os prelados afirmaram que a população americana deve compreender as razões que levam as pessoas a deixar seus países em busca de melhores condições de vida, ao mesmo tempo em que respeitam o direito do governo de aplicar suas leis de imigração. Contudo, ambos consideram que a situação atual é injusta e imoral, necessitando de correções urgentes.
No dia 3 de agosto, em uma carta pastoral divulgada por ocasião do centenário da elevação de San Antonio a arquidiocese metropolitana, o arcebispo Gustavo García-Siller expressou a solidariedade da Igreja em relação aos migrantes e pediu um “discernimento moral cuidadoso e bem formado de toda consciência católica” sobre a questão. Já no dia 1º de agosto, o bispo Robert Gruss, da Diocese de Saginaw, em Michigan, fez uma declaração ressaltando a “dignidade humana inerente” de todos os indivíduos.
O bispo Gruss abordou o “desafio” que os Estados Unidos enfrentam, uma vez que o país tem historicamente acolhido imigrantes, refugiados e perseguidos, e agora se depara com a necessidade de lidar com uma administração que deseja remover indivíduos e famílias que anteriormente migraram livremente. Ele destacou que, embora a remoção de imigrantes que cometeram crimes seja compreensível, deve-se questionar a justiça de expulsar aqueles que contribuíram positivamente para a sociedade ao longo dos anos.
Gruss argumentou que uma “sociedade justa e civil” não deveria permitir deportações ou detenções de indivíduos sem um motivo claro, sem representação legal adequada, sem acesso à família ou a uma rede de apoio, e sem que suas necessidades básicas sejam atendidas. O bispo conclamou os fiéis a pressionar por mudanças nas políticas públicas que assegurem os direitos civis de todos os imigrantes, além de demandar políticas humanitárias que levem em conta a segurança e a estabilidade dos migrantes.
Ele também apontou que a criação de caminhos legais mais acessíveis para os migrantes é fundamental, já que muitos optariam por essas alternativas se estivessem disponíveis. A contribuição dos migrantes para o bem comum da nação exige que essas mudanças sejam implementadas, afirmou.
No encerramento de sua carta, García-Siller confiou a situação a Nossa Senhora de Guadalupe, ressaltando que ela, ao cruzar fronteiras de cultura e raça e ao viver o exílio com a Sagrada Família, é um exemplo de empatia e compreensão: “Muito antes de ser Rainha do México, ela era uma mãe que cruzou uma fronteira. Ela conhece esse caminho; ela o percorreu com seus próprios pés.”




