O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou suas críticas ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante uma entrevista ao canal LN+ no último domingo (2). Milei declarou que Lula foi libertado por uma falha processual e não é inocente, referindo-se às condenações do brasileiro na Lava Jato. "Roubar é um ato muito mais grave do que ser chamado de ladrão", enfatizou o mandatário argentino.
Em julho, durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, Milei já havia se referido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de maneira desrespeitosa e expressou sua insatisfação por não ter conseguido visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na mesma ocasião, ele também chamou Lula de ladrão e presidiário, acusando-o de promover o socialismo na América Latina.
A resposta do governo brasileiro foi imediata. O Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e também chamou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as falas de Milei. O presidente argentino, por sua vez, reiterou suas acusações, alegando que Lula teria financiado uma campanha anti-Argentina.
Milei continuou a criticar Lula, afirmando que este é quem realmente interfere politicamente na região ao espalhar suas ideias socialistas. Ele também destacou que, enquanto Lula se incomoda com suas declarações, os insultos dos líderes da esquerda latino-americana, como Gustavo Petro, Evo Morales e Pedro Sánchez, parecem ser ignorados.
O presidente argentino insistiu que suas críticas são verdades e não mentiras, reiterando que Lula, ao sair da prisão, o fez através de um recurso administrativo. Milei afirmou que o governo brasileiro teria investido recursos em campanhas para apoiar Lula, associando essa ação ao kirchnerismo na Argentina.
Na semana anterior, Lula havia ironizado as críticas de Milei, questionando quem era o presidente argentino. Outros membros do governo brasileiro também se manifestaram; o vice-presidente Geraldo Alckmin considerou que Milei prestou um desserviço ao seu país, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o chamou de palhaço.




