Pesquisas sobre os hábitos de caça de povos da Idade do Gelo na Eurásia e América do Norte revelam que os mamutes-lanosos eram alvos preferidos por diversos motivos. Esses animais forneciam não apenas uma quantidade significativa de carne e gordura, mas também materiais valiosos como pele, ossos e presas, que podiam ser usados para a confecção de roupas, ferramentas, armas e até mesmo abrigos.
Um novo estudo, que analisou dados genéticos de ossos encontrados em 11 sítios na Polônia, Áustria, República Tcheca, Alemanha e Rússia, revelou que esses povos eram bastante seletivos quanto às fêmeas mamutes que caçavam. Os resultados mostram que aproximadamente 70% dos ossos de mamutes encontrados nesses locais pertenciam a fêmeas, enquanto apenas 30% eram de machos. Em comparação, 66% dos ossos de mamutes recuperados em ambientes naturais eram de machos, e 34% eram de fêmeas.
Os pesquisadores utilizaram DNA de 521 mamutes, abrangendo um período que se estende por cerca de 50.000 anos, para entender as preferências de caça. Dentre os espécimes analisados, 100 mamutes foram coletados de 10 sítios de acúmulo de ossos localizados na Europa Central e Oriental, além de um sítio na Sibéria, enquanto 421 mamutes foram recuperados de ambientes naturais.
Hannah Moots, pesquisadora de pós-doutorado do Centro de Paleogenética, que é uma colaboração entre a Universidade de Estocolmo e o Museu Sueco de História Natural, e autora principal do estudo, destaca que a questão sobre essa disparidade entre os sexos ainda está sendo investigada. A hipótese levantada sugere que os mamutes-lanosos poderiam viver em rebanhos liderados por fêmeas, semelhante ao comportamento atual dos elefantes. Isso poderia fazer com que esses grupos se deslocassem de forma mais previsível e sazonal.
Os comportamentos dos rebanhos de elefantes fêmeas poderiam explicar a escolha dos humanos por mamutes fêmeas, já que elas apresentam padrões de movimento mais restritos em comparação aos machos, que costumam ser mais solitários e vagar por áreas mais amplas. Os mamutes habitavam florestas e tundras úmidas, e a interação dos seres humanos na extinção desses animais ainda gera discussões entre os especialistas.
Os últimos mamutes conhecidos ocuparam a Ilha de Wrangel, localizada na costa da Sibéria, e desapareceram há cerca de 4.000 anos. Estudos anteriores indicaram que, mesmo com o tamanho reduzido e altos níveis de endogamia, essa população permaneceu estável até pouco antes de sua extinção.




