Em Campo Grande, um grupo que tinha apenas 10 amigos se transformou em uma comunidade de mais de 100 pessoas em torno do esporte. O Vôlei Oriental Latino Esportivo Internacional, fundado em agosto de 2024, conquistou não só campeonatos, mas também uma rede de amizades que os participantes descrevem como uma irmandade. Embora o vôlei seja a razão inicial para os encontros, muitos integrantes revelam que a convivência se tornou o verdadeiro motor do grupo.
Davi Cenciarelli, que assumiu a organização das partidas, comenta sobre a evolução das relações sociais dentro do grupo. “Hoje a gente já virou muito mais amigo. A rotina das pessoas já faz parte do vôlei. A gente realmente só usa o vôlei como uma desculpa para se ver ali todo mundo”, afirma. No início, as reuniões aconteciam apenas entre amigos que já se conheciam, e o vôlei era uma forma de intensificar esses encontros durante a semana.
Conforme o grupo cresceu, novos participantes foram se juntando por meio de amigos, colegas de trabalho e conhecidos. A dinâmica de amizade se fortaleceu dentro da quadra, onde jogadores que inicialmente não se conheciam passaram a desenvolver laços. “Uma pessoa falava: ‘Conheço um cara do meu trabalho que queria jogar’. Esse cara ia e levava um amigo dele. A gente foi ficando mais próximo porque, no início, ninguém tem intimidade, mas depois a gente cria uma convivência jogando”, explica Davi.
A comunidade se expandiu rapidamente, e a dificuldade inicial de reunir 18 pessoas para formar os times logo se transformou em um desafio em manter todos em um único espaço. A procura por vagas se intensificou a ponto de uma única quadra já não comportar todos os interessados. “Antes, a gente sofria para dar 18 pessoas. Hoje, a situação é bem diferente”, comenta Davi, lembrando das festas e celebrações que ocorrem após as partidas.
Com o aumento do número de participantes, a organização do grupo também se aprimorou. Tarefas que antes eram responsabilidade de uma única pessoa passaram a ser divididas entre vários integrantes, que agora cuidam da montagem das listas, reservas de quadras e organização dos campeonatos. Apesar do crescimento, o grupo mantém uma dinâmica mais fechada, priorizando a inclusão de amigos de membros já existentes para preservar a intimidade e a amizade.
“Obviamente, a gente não é íntimo de todo mundo, mas todo mundo acaba criando uma certa intimidade. A gente já pode fazer brincadeiras, conversar e se conhecer melhor. O vôlei já ultrapassou muito a quadra”, conclui Davi, ressaltando a importância das relações construídas ao longo do tempo.




