A Assembleia Legislativa da Nicarágua, sob controle do governo, anunciou nesta terça-feira (28) a proposta de reforma constitucional que busca estender o mandato presidencial de seis para sete anos. A iniciativa foi apresentada pelo presidente Daniel Ortega e deve ser discutida e aprovada no início de setembro. O objetivo declarado é impedir a participação de adversários, que Ortega classifica como "traidores" e "golpistas" ao serviço dos Estados Unidos, nas próximas eleições.
Gustavo Porras, presidente do Congresso, destacou que a proposta de mandato renovável por sete anos visa garantir estabilidade e continuidade na administração, atendendo às necessidades do país. "Nosso sistema de Estado e governo do povo presidente propõe-se a ser estruturado com um mandato efetivo de sete anos renováveis", afirmou Porras durante a leitura da introdução do projeto. Até o momento, o texto completo da proposta não foi divulgado.
Na semana anterior, Rosario Murillo, esposa de Ortega e copresidente, mencionou que o plano de reforma foi compartilhado com o corpo diplomático e que haverá consultas com diversos setores da sociedade antes da aprovação da medida. As eleições, que deveriam ocorrer no final deste ano, foram adiadas para novembro de 2027, de acordo com uma reforma anterior realizada em 2024, que também ampliou o mandato presidencial para seis anos e elevou Murillo ao cargo de copresidente.
A intenção de Ortega de excluir partidos de oposição das eleições tem gerado forte rejeição internacional. Os Estados Unidos alertaram que não permanecerão inertes diante do que classificam como uma "ditadura", enquanto a União Europeia (UE) pediu ao governo nicaraguense que convoque eleições de acordo com normas internacionais. Recentemente, o presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou que cortará relações com a Nicarágua ao assumir o cargo em 7 de agosto.
Em resposta ao projeto de reforma, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que cada nação possui o direito de decidir sua própria organização política. Ortega, que tem 80 anos, e sua esposa, de 75, exercem um controle rigoroso sobre a sociedade nicaraguense, especialmente após os protestos de 2018, que resultaram na morte de mais de 300 pessoas, conforme dados da ONU. O casal vê essas manifestações como uma tentativa de golpe de Estado apoiada pelos Estados Unidos.




