O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apresentou denúncia contra 17 indivíduos no âmbito da Operação Gutenberg, que ocorreu em 7 de julho. A operação teve como foco um esquema de corrupção envolvendo livros paradidáticos e a regulação de vagas para atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). A denúncia foi protocolada na 2ª Vara Criminal de Campo Grande na sexta-feira, 24, e ainda aguarda decisão judicial. O Gaeco requer o ressarcimento aos cofres públicos no valor de R$ 27 milhões.
Dentre os denunciados, quatro são membros da família Jafar, proprietários da Gráfica Alvorada. Os envolvidos são Rossana Paroschi Jafar, empresária e cirurgiã-dentista; Giovanni Paroschi Jafar, empresário; Olívia Paroschi Jafar, médica; e Felipe Paroschi Jafar, que foi exonerado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos após a operação. Rhayane Souza Fanaia, ex-esposa de Giovanni Jafar e primeira administradora da Editora Avante, também está entre os denunciados. A editora, que tem sede em São Paulo, é considerada o centro do esquema de corrupção.
A investigação revelou que a participação da família Jafar na Editora Avante foi ocultada por meio de estratégias empresariais. Antes de se envolver com a editora, Rhayane gerenciava um brechó na capital. Outro denunciado, Heyder Bartz, está foragido e é apontado como um dos líderes do esquema. Ele é proprietário da Superconteúdo Digital, uma empresa de marketing que recebeu R$ 455.593,05 da Editora Avante.
Francisco Anizio dos Santos, um empresário mencionado na investigação, também é parte do núcleo que teria influência nas decisões administrativas da Editora Avante, ao lado de Rossana e Heyder. Além deles, Ed Carlo Britto Burgatt e Jessyca Duarte Burgatt, pai e filha, foram denunciados. Ed Carlo possui uma longa trajetória no serviço público, atuando há 25 anos na administração estadual e sendo mencionado em registros oficiais desde 2015.
Após o oferecimento da denúncia, os autos foram inicialmente enviados à 3ª Vara Criminal. Contudo, em 24 de julho, a juíza responsável decidiu que o caso deveria retornar à 2ª Vara Criminal Residual, onde a investigação teve início em 2023. Essa movimentação entre as varas evidencia como a origem da investigação impactou a definição do juízo responsável, refletindo também na análise dos pedidos de liberdade de Ed Carlo Britto Burgatt, cuja defesa protocolou um pedido em 15 de julho de 2026. O Núcleo de Garantias negou a solicitação em 20 de julho, considerando que não havia novos elementos que justificassem a revogação da prisão.




