A rotina de medo e insegurança na Vila Nhanhá, em Campo Grande, é descrita por moradores que vivem há décadas na região. Uma residente de 63 anos, que pediu para não ser identificada, resumiu a situação ao afirmar: "Se você vê, tem que se fazer de cega, de muda e de surda". Ela mencionou que, após um período de diminuição da violência, a situação voltou a se agravar, especialmente nos finais de semana, quando ocorrem brigas e, ocasionalmente, homicídios. "É horrível. Melhorou por um tempo, agora começou a piorar. Aqui é violência lascada", disse.
Outra moradora, com 68 anos e 35 anos de residência na área, também relatou seu temor. Ela evita sair sozinha e não transita por becos onde, segundo moradores, há concentração de usuários de drogas e registros de furtos e roubos. "A gente vive com medo. Não vou descer ali", afirmou, referindo-se à região que já foi mais violenta, mas que havia apresentado uma redução nas taxas de homicídios. Com a nova onda de violência, ela destacou que, nos últimos dias, já foram registrados de três a quatro assassinatos.
As preocupações com a segurança se estendem a outros moradores. Johnny Ferreira, um entregador de 30 anos que atua na área há cinco, ressaltou a falta de policiamento preventivo. Ele observou que as equipes da Polícia Militar aparecem apenas após acionamentos. "Aqui só está faltando policiamento. Não tem polícia, só quando liga", declarou. Para evitar riscos, Johnny evita estacionar em locais onde nota consumo de drogas ou comportamento suspeito. Ele contou que já adiou entregas para não expor sua motocicleta e produtos a possíveis roubos. "Vou arriscar? Não posso. Minha outra moto já foi roubada", concluiu.
Os relatos de moradores e trabalhadores da região revelam uma realidade alarmante. A combinação de medo, falta de segurança e a presença de usuários de drogas afeta diretamente a qualidade de vida na Vila Nhanhá, onde muitos sentem que a única opção é silenciar e se isolar para evitar problemas.
Além dos relatos de violência, a situação tem gerado um impacto significativo na rotina dos moradores, que se sentem obrigados a se resguardar. A preocupação com a segurança e a necessidade de precauções diárias se tornaram parte da vida cotidiana, refletindo um cenário preocupante que demanda atenção das autoridades locais.




