O agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã gera preocupações sobre os efeitos na economia mundial, especialmente no Brasil, onde a redução da inflação e dos juros pode ser dificultada. A avaliação é de Ricardo Ramolde, professor de economia, que, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, destacou a escalada das tensões no Oriente Médio.
Ramolde apontou que a participação de novos grupos no conflito, como os houthis, que recebem apoio do Irã, aumenta a probabilidade de interrupções no transporte de petróleo em rotas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb. "O petróleo ainda é o principal combustível da economia mundial. Toda vez que o Estreito de Ormuz é fechado ou há uma ampliação do conflito, isso traz impactos negativos não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro", afirmou.
O especialista ressaltou que a estratégia do Irã não envolve uma guerra convencional contra os Estados Unidos, mas sim ações que visam pressionar economicamente o Ocidente. "O Irã percebeu que não tem capacidade de lutar com os Estados Unidos de forma convencional. Então faz uma guerra estratégica, tentando reduzir a passagem de petróleo e aumentar as pressões inflacionárias", explicou.
De acordo com Ramolde, a alta dos preços do petróleo já alterou as perspectivas econômicas para o Brasil em 2026. A expectativa de inflação, que no início do ano era de cerca de 4%, agora supera 5%. Além disso, a projeção para a taxa Selic passou de aproximadamente 12% para 14%. "O combustível afeta toda a cadeia produtiva. Os alimentos ficam mais caros porque dependem do transporte, assim como diversos outros produtos. E juros em 14% inviabilizam muitos investimentos", afirmou.
O cenário é ainda mais preocupante para o Brasil devido à sua situação fiscal. O professor alertou que o país já enfrentava um quadro fiscal complicado, e um choque de oferta como esse tende a impactar de forma mais severa quem já lida com juros elevados e dificuldades nas contas públicas. "Um choque de oferta como esse acaba impactando de forma ainda mais forte quem já enfrenta juros elevados e dificuldades nas contas públicas", concluiu.




