A detenção de Maycon Roslen de Melo, que atuava como diretor no Presídio de Trânsito de Campo Grande, trouxe à tona uma discussão importante sobre o uso de rastreadores veiculares. Ele é investigado por ter utilizado um dispositivo para monitorar os deslocamentos de sua ex-companheira, o que gerou preocupação sobre como esses equipamentos podem ser acessados e utilizados de forma inadequada.
Uma pesquisa realizada em plataformas de comércio eletrônico revela que é possível encontrar rastreadores a preços acessíveis. Modelos simples são anunciados por R$ 31,99, enquanto versões mais completas, que incluem GPS e monitoramento em tempo real, podem custar até R$ 160. Alguns desses dispositivos são pequenos, com o tamanho de um chaveiro, e podem ser fixados em diferentes partes do veículo, o que os torna difíceis de detectar.
Embora a venda desses rastreadores seja voltada para finalidades legítimas, como a localização de veículos roubados e a gestão de frotas, o uso indevido para perseguir vítimas de violência doméstica é uma realidade preocupante. Para aqueles que suspeitam de estar sendo monitorados, existem algumas formas de verificar a presença de dispositivos ocultos.
Usuários de iPhone podem usar o aplicativo Buscar, que já vem instalado nos aparelhos. Caso um rastreador compatível esteja se movendo junto com o usuário sem autorização, o telefone exibirá uma notificação informando sobre um "Item desconhecido". Ao tocar na notificação, o usuário poderá visualizar um mapa dos deslocamentos do dispositivo e, se necessário, fazê-lo emitir um som para facilitar sua localização.
Os usuários de Android também têm opções para identificar rastreadores. É possível que o dispositivo esteja conectado à entrada OBD do veículo, localizada abaixo do volante. Além disso, é importante ficar atento a comportamentos suspeitos, como alguém que parece saber a localização exata do usuário sem que ele tenha compartilhado essa informação.
Caso um rastreador seja encontrado, é essencial agir com cautela. A recomendação é não destruir ou descartar o equipamento imediatamente. Fotografar o dispositivo em seu local de instalação e preservar quaisquer informações que ele possa conter é fundamental, já que esses dados podem ser úteis para investigações. Em situações de violência, perseguições ou descumprimento de medidas protetivas, a orientação é buscar a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência, pois o rastreador pode servir como prova importante na responsabilização do autor.




