As escolas funcionam como um reflexo da estrutura social e da cultura vigente, que muitas vezes é marcada pela violência. Nesse contexto, as vozes dos mais fortes e poderosos dominam, estabelecendo um ambiente onde os interesses individuais prevalecem sobre os coletivos. No ambiente escolar, isso se manifesta em práticas que valorizam a competição e o individualismo, incentivando a busca por popularidade entre os alunos. Como resultado, os mais vulneráveis se tornam alvos de agressões, humilhações e desprezo, promovendo uma falsa sensação de superioridade entre os agressores.
Essa dinâmica de violência não se limita ao ambiente escolar, pois reflete uma tendência maior presente em diversas esferas sociais. Contudo, as instituições educativas têm a oportunidade de se tornarem espaços de transformação cultural. Desde a educação infantil até a universidade, as escolas devem adotar uma abordagem que valorize a paz, a ética e a cooperação. Conversas sobre conflitos, justiça e respeito, por exemplo, não devem ser vistas como perda de tempo, mas sim como parte fundamental do aprendizado.
A inclusão de temas como empatia e solidariedade no currículo escolar é crucial para o desenvolvimento de uma convivência social mais saudável. Este tipo de educação não se resume a conhecimentos acadêmicos, mas busca preparar os alunos para viver em sociedade, promovendo uma cultura menos hostil. Tradições de competição ainda dominam, mas a reflexão sobre até quando isso persistirá é necessária.
É vital que as escolas inovem suas práticas e criem espaços de diálogo que abordem a importância da justiça e da ética. A mobilização de educadores e pais para discutir esses assuntos de maneira acolhedora e aberta é urgente. Sem essa iniciativa, a violência e as agressões continuarão a ser uma realidade em um espaço que deveria ser um ambiente de aprendizado e construção de conhecimento.
A transformação das relações sociais e a promoção de um mundo mais pacífico dependem do esforço conjunto de todos os envolvidos na educação. A coconstrução de um ambiente escolar saudável é uma responsabilidade coletiva e deve ser uma prioridade para garantir um futuro mais harmonioso para as novas gerações. (*) Ângela Uchôa Branco é orientadora no PPGPDE/UnB (Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento Humano e Escolar) e no Labmis-UnB.




