O impacto dos terremotos que atingiram a Venezuela nas últimas semanas tem gerado apreensão sobre uma potencial nova crise migratória nas Américas. Desde 1999, quando o regime chavista tomou o poder, mais de 9 milhões de venezuelanos deixaram o país, configurando um dos maiores fluxos migratórios globais. A ONG Observatório da Diáspora Venezuelana destaca que a crise humanitária já havia levado à migração massiva antes mesmo dos recentes desastres naturais.
Dados da Plataforma de Coordenação Interagencial para Refugiados e Migrantes da Venezuela (R4V) revelam que a Colômbia abriga 2,85 milhões de imigrantes e refugiados venezuelanos, seguida pelo Peru, com 1,64 milhão, e o Brasil, com 761,3 mil. Essa movimentação populacional é um reflexo das condições socioeconômicas adversas enfrentadas no país, que se agravaram ainda mais após os terremotos.
Tomás Páez, sociólogo e presidente do Observatório da Diáspora Venezuelana, observou que, inicialmente, os tremores têm provocado deslocamentos internos. Muitas pessoas estão se mudando para a casa de parentes ou vivendo em espaços públicos, aguardando vistorias para saber se poderão retornar a seus lares. Esse cenário de instabilidade tem contribuído para um aumento no número de pessoas se deslocando para estados menos afetados, como Táchira e Zulia, além de Delta Amacuro.
Veronique Durroux, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (ENUCAH), afirmou que já é possível notar um aumento no fluxo de deslocamentos internos em resposta aos desastres. A situação atual levanta a expectativa de que a migração internacional possa também crescer nos próximos meses.
Páez enfatizou que a migração deve ser considerada um fator crucial a ser monitorado, uma vez que muitos venezuelanos que cogitavam retornar ao país, caso o regime de Nicolás Maduro caísse, podem adiar ou até cancelar esses planos. A incerteza provocada pela situação atual pode frustrar as intenções de um retorno imediato.
O analista destacou que a resistência do regime à migração ilegal não implica em oposição ao apoio humanitário. Ele lembrou que os novos mandatários, com o apoio dos Estados Unidos, estão colaborando na resposta aos terremotos, o que pode influenciar a dinâmica política e econômica no país.




