O ex-prefeito Alcides Bernal faleceu na madrugada desta segunda-feira, 13, véspera de seu 61º aniversário. Ele havia enfrentado problemas cardíacos e foi internado duas vezes na semana anterior. Após receber alta da Santa Casa na última sexta-feira, Bernal retornou ao Presídio Militar Estadual Fidelcino Rodrigues, no Complexo Penal do Jardim Noroeste, mas menos de 48 horas depois apresentou novos sintomas que exigiram sua volta ao hospital.
No sábado, Bernal foi internado em estado crítico, com pressão arterial muito baixa, na ala vermelha da Santa Casa. Sua morte foi confirmada pela Polícia Militar, que realizava a escolta do ex-prefeito, e também por seu advogado de defesa, Wilton Acosta. O ex-prefeito passou por procedimentos médicos, incluindo dois cateterismos e uma cirurgia cardíaca, antes de seu falecimento.
Alcides Bernal estava detido desde 24 de março de 2026, quando se apresentou à polícia após a morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Mazzini foi assassinado em um imóvel no Jardim dos Estados, em Campo Grande. A prisão preventiva de Bernal foi decretada no dia seguinte, 25 de março, em virtude de uma disputa relacionada ao imóvel onde residia.
O ex-prefeito enfrentava acusações graves, incluindo homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo e invasão de domicílio. Sua defesa argumentava legítima defesa, mas essa tese foi rejeitada pelo juiz na decisão de pronúncia, resultando na manutenção da prisão enquanto aguardava julgamento no Tribunal do Júri.
Bernal iniciou sua carreira política como radialista nos anos 90, tornando-se um conhecido apresentador de televisão, o que o ajudou a ganhar popularidade. Ele também atuou como advogado e tinha forte ligação com a comunidade paraguaia. Em 2012, foi eleito prefeito de Campo Grande, mas sua gestão foi marcada por polêmicas, incluindo a cassação em 2013 pela Câmara de Vereadores, decisão que foi posteriormente revertida pela Justiça, que considerou a ilegalidade da ação. Na votação, 23 dos 26 vereadores haviam optado pela sua saída.
Após a cassação, o vice-prefeito Gilmar Olarte assumiu o cargo. Desde então, Bernal não conseguiu ser reeleito, mesmo respondendo a diversos processos judiciais, que resultaram em condenações e em sua inelegibilidade. Ele também teve uma passagem pela Câmara de Vereadores, onde foi eleito em 2004 e reeleito, seguindo depois para a Assembleia Legislativa como deputado estadual, mas não concluiu seu mandato, optando por concorrer novamente à prefeitura.




