A intensificação do conflito entre as duas principais facções do Cartel de Sinaloa, Los Chapitos e La Mayiza, trouxe à tona uma nova realidade para influenciadores digitais no México. Esses profissionais, que antes promoviam o estilo de vida associado ao narcotráfico, tornaram-se alvos de ameaças e violência. Um exemplo recente é o sequestro de Nicole Pardo, uma influenciadora mexicana-americana de 20 anos, ocorrido em Culiacán, um bastião do Cartel de Sinaloa.
Nicole Pardo foi sequestrada por homens armados, e as investigações indicam que o crime está relacionado à rivalidade entre as facções do cartel. Os Los Chapitos, liderados pelos filhos de Joaquín "El Chapo" Guzmán, e a La Mayiza, ligada a Ismael "El Mayo" Zambada, estão em um embate intenso que se estendeu ao mundo digital. A influenciadora havia começado um comércio de vestuário vinculado ao narcotráfico, o que pode ter atraído a atenção de grupos adversários.
Após ser resgatada com vida, um vídeo de Nicole que circulou nas redes sociais revelou que ela afirmava trabalhar para a facção La Mayiza. Essa gravação levantou suspeitas sobre a conexão do sequestro com a guerra entre as facções do Cartel de Sinaloa. O caso de Nicole é apenas um entre muitos que refletem o crescente número de ameaças e assassinatos direcionados a "narcoinfluenciadores" no país.
Em um incidente emblemático, em janeiro, um helicóptero não identificado lançou panfletos sobre Culiacán, denunciando criadores de conteúdo e músicos como colaboradores do crime organizado. Os panfletos continham imagens de 25 pessoas, com a palavra "ELIMINADO" estampada sobre quatro delas, indicando que já haviam sido assassinadas. Entre os nomes mencionados estava o cantor Peso Pluma, ganhador do Grammy, e, desde então, ao menos outros nove indivíduos da lista foram mortos.
Esse novo padrão de ação dos criminosos emergiu após a captura de Ismael "El Mayo" Zambada, um dos fundadores do Cartel de Sinaloa. A utilização das redes sociais para lavagem de dinheiro e recrutamento de novos membros se tornou uma estratégia comum, com influenciadores inflando artificialmente seus números para aumentar a monetização e desviar recursos para as facções do cartel. Markitos Toys, um influenciador mencionado nesse contexto, negou as acusações.
Além de facilitar a lavagem de dinheiro, as redes sociais se transformaram em uma plataforma para exibir uma vida de ostentação, atraindo seguidores que muitas vezes desconhecem a origem ilícita dos recursos. Uma reportagem especial destacou que os criminosos escolhem influenciadores para promover um estilo de vida glamouroso, mascarando a realidade do crime organizado com discursos aspiracionais que ressoam especialmente entre os adolescentes.




