Na quarta-feira, 24 de junho, em Playa Grande, um bairro de La Guaira, na Venezuela, Kamar Galíndez se preparava para seu treino diário no último andar do Hotel Chipi's Beach. O que deveria ser um dia comum se transformou em um pesadelo com a ocorrência de dois terremotos consecutivos, que surpreenderam a todos e geraram pânico e desorientação.
Galíndez, um advogado de 53 anos, recorda que, ao sentir o tremor, os equipamentos da academia começaram a se mover. O desastre aconteceu em questão de segundos. "O chão se partiu e vi metade do prédio inclinando-se para frente. A seção onde eu estava desabou para baixo. Eu senti que não tinha mais apoio e, a seguir, fiquei preso nos escombros", relatou.
Em meio ao caos, Galíndez buscou proteção ao lado de uma parede. Durante o desabamento, ele lembrou da imagem de Jesus como apareceu para Santa Faustina Kowalska em 22 de fevereiro de 1931. "Lembrei-me de pensar no Cristo misericordioso e orar: 'Senhor, tende piedade'", explicou, emocionado. Mesmo sentindo o impacto do colapso, ele não perdeu a consciência e continuou a se concentrar na sua sobrevivência.
Após a confusão inicial, Galíndez percebeu que estava vivo, embora estivesse preso sob os escombros e com uma viga esmagando seu peito. Ele não conseguia respirar adequadamente, mas sua cabeça não estava enterrada, permitindo-lhe ter uma leve noção da situação ao seu redor. O advogado considerou sua sobrevivência um milagre, creditando-a à Medalha Milagrosa, que para ele simboliza a proteção divina.
O impacto dos terremotos foi devastador, com o número oficial de mortos subindo para 3.535 e 16.740 feridos até o momento. Organizações independentes relatam que dezenas de milhares de pessoas ainda estão desaparecidas. A tragédia afetou profundamente a comunidade local, que já enfrenta dificuldades e desafios em sua vida cotidiana.
Galíndez ressaltou que sua experiência serve como um lembrete da misericórdia de Deus e da força da fé. Para ele, o que aconteceu não é apenas uma questão de sobrevivência, mas um testemunho de que, mesmo em tempos de grande sofrimento, a proteção divina nunca abandona seu povo.




