Sergio Roberto de Carvalho, ex-major da Polícia Militar, enfrenta um julgamento na Bélgica, acusado de liderar uma vasta rede de tráfico de cocaína entre 2017 e 2020. Apontado como um dos maiores narcotraficantes do mundo, ele é descrito como o 'Pablo Escobar brasileiro' e é acusado de ser o responsável pelo envio de ao menos 67 toneladas da droga para o continente europeu, o que representa um dos maiores esquemas de tráfico já documentados na Rota do Atlântico.
Após anos como fugitivo, utilizando identidades falsas, Carvalho foi preso na Hungria em junho de 2022. Antes de sua captura, a operação Enterprise da Polícia Federal já havia revelado sua conexão com uma significativa rede de narcotráfico, destacando seu papel na exportação de cocaína do Brasil para a Europa. A Justiça belga iniciou o julgamento em maio, com uma sentença interlocutória emitida em resposta a pedidos preliminares das defesas, que alegam a inocência do ex-major.
O tribunal belga programou a continuidade do julgamento para o dia 7 de setembro, quando a decisão final será anunciada, após a conclusão do processo. A defesa de Carvalho, que não conseguiu contato com advogados No Brasil, argumenta que ele é inocente das acusações, embora as evidências apresentadas até o momento sejam robustas e indicativas de sua liderança na organização criminosa.
De acordo com documentos obtidos, Carvalho operava uma megarrede de tráfico internacional, desvinculada de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além de cartéis e máfias internacionais. O esquema, que tinha como objetivo o envio de cocaína para distribuição na Europa, é considerado inédito na história do tráfico de drogas, mesmo quando comparado a organizações criminosas estabelecidas.
Uma análise realizada pela Receita Federal em 2025 revelou que, entre 2019 e 2023, foram apreendidas 87,7 toneladas de cocaína destinadas a países da Europa e da África. Somente em 2023, 15,98 toneladas foram interceptadas No Brasil. Carvalho, por sua vez, tinha uma média de envio de 16,75 toneladas de cocaína por ano, o que equivale a quase 1,5 tonelada mensalmente. A magnitude de suas operações destaca a gravidade das acusações contra ele e o impacto significativo que sua rede teve no tráfico internacional de drogas.




