A China tem trabalhado para fortalecer sua presença financeira na África, buscando alternativas ao dólar nas transações comerciais. Recentemente, o Banco Central da China autorizou o uso do yuan, também conhecido como renminbi, no Standard Bank, o maior banco do continente, com sede na África do Sul. Essa parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) possibilita que empresas realizem pagamentos em yuan, facilitando o comércio entre a China e os países africanos.
A iniciativa do Standard Bank, que atua em 21 nações africanas, é vista como um passo significativo, embora o uso do yuan ainda represente uma fração menor nas transações comerciais do continente. Apesar disso, a desdolarização permanece um desafio, com as autoridades de Pequim reconhecendo que a adoção do yuan está longe de ser uma realidade predominante na África.
Entre 2000 e 2024, a relação comercial entre a China e a África cresceu a uma taxa média de 14% ao ano, de acordo com dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Para fortalecer ainda mais essa relação, em maio, o governo chinês decidiu isentar taxas de importação sobre produtos africanos, com a expectativa de impulsionar ainda mais as trocas comerciais entre as duas regiões.
Marco Fernandes, analista geopolítico do Conselho Popular do Brics, afirma que, embora o avanço do yuan na África seja tímido, a China está investindo em uma infraestrutura que permita transações comerciais sem a necessidade do dólar. Ele destaca que essa estratégia é parte de um movimento maior da China para facilitar o comércio internacional sem depender da moeda norte-americana.
Paulo Nogueira, que também contribui para o Valdai Discussion Club, comenta que a criação de uma nova unidade de conta entre os países do Brics e outras nações do Sul Global pode, em um futuro próximo, resultar na formação de uma nova moeda. Esse movimento visa reduzir a influência do dólar e promover uma economia global mais justa.
Para especialistas, a desdolarização é crucial para equilibrar as relações econômicas globais e diminuir o poder dos Estados Unidos, que utilizam sanções e embargos financeiros para impor seus interesses a outros países. A hegemonia do dólar provoca instabilidades nas economias mais vulneráveis, impactando diretamente o custo de vida e a segurança alimentar de milhões de pessoas ao redor do mundo.



