As eleições presidenciais na Colômbia, agendadas para este domingo (21), apresentam um cenário em que a segurança é a principal preocupação. Analistas indicam que o próximo presidente terá a responsabilidade de retomar o controle sobre áreas dominadas por grupos armados ilegais, que expandiram sua influência durante o governo atual. O país, que enfrentou seis décadas de conflito interno, contabiliza mais de 450 mil mortes em decorrência da violência.
Na disputa, Abelardo De La Espriella, candidato de direita de 47 anos, promete intensificar a ação militar contra o narcotráfico e o crime organizado, além de encerrar as negociações de paz que não geraram resultados concretos ao longo do mandato de Gustavo Petro, atual presidente de esquerda que se despede do cargo. De La Espriella lidera as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno.
Por outro lado, o senador Iván Cepeda, de 63 anos, defende a continuidade das negociações de paz e busca pressionar o legislativo para aprovar um projeto de lei que ofereça benefícios legais a gangues em troca do desmantelamento de suas operações. Esse contraste entre os candidatos reflete as diferentes abordagens que podem moldar o futuro da segurança no país.
Eduardo Pizarro, analista político, destaca que a segurança foi o tema central da campanha, o que contribuiu para a vitória de De La Espriella no primeiro turno. A percepção de insegurança aumentou nas áreas urbanas, com crescentes preocupações em relação a extorsão e pequenos delitos, enquanto a expansão de grupos armados em regiões rurais impactou ainda mais a população civil.
Independentemente do resultado, especialistas alertam para a possibilidade de um aumento nos ataques por parte de grupos armados, que buscam reafirmar sua força e garantir vantagens em futuras negociações. Um oficial aposentado do alto comando militar, que preferiu não ser identificado, ressaltou que o novo governo deve adotar uma estratégia de segurança mais robusta, além de considerar soluções negociadas, de forma coordenada.
A segurança não deve ser vista apenas sob a ótica militar, segundo o chefe da polícia, que enfatiza a importância de abordar as raízes do crime, como corrupção e redes criminosas internacionais. A Fundação Ideias para a Paz (FIP) aponta que, além de aprimorar o controle territorial e a inteligência das Forças Armadas, é essencial avançar no acordo de paz firmado em 2016 com as FARC, que inclui reformas sociais em áreas rurais ainda não implementadas.




