A relação entre Brasil e China transcende o campo esportivo, especialmente em um momento em que a Copa do Mundo se aproxima. O futebol, que é uma das maiores paixões de ambos os países, se destaca como uma ferramenta poderosa para empresas brasileiras que buscam acesso a um mercado com mais de 1,4 bilhão de consumidores. No imaginário chinês, Brasil é sinônimo de ícones como Pelé e Neymar, que representam não apenas o esporte, mas também valores e estilos de vida associados à nação.
Theo Paul Santana, especialista em China e fundador do Destino Brasil/China, destaca que Neymar se tornou um símbolo da identidade brasileira na China. A menção ao jogador vai além da referência ao futebol; para os chineses, ele evoca alegria, juventude e energia, características que as marcas desejam associar às suas campanhas. Esse fenômeno, que Santana denomina de “efeito Neymar”, abre um leque de possibilidades para pequenas e médias empresas brasileiras, que podem se beneficiar sem a necessidade de altos investimentos em celebridades.
A estratégia para aproveitar esse reconhecimento cultural pode ser simples. Utilizar elementos facilmente identificáveis da cultura brasileira, como as cores da bandeira, referências ao samba e à natureza, pode destacar produtos nacionais no mercado chinês, especialmente durante eventos esportivos de grande porte. Um exemplo notável é a Luckin Coffee, uma gigante do setor de cafeterias na China. Desde 2023, a empresa incorporou elementos da fauna brasileira, como capivaras, tucanos e onças-pintadas, em suas embalagens e campanhas, fazendo do Brasil um personagem central em sua narrativa visual.
Esse uso da imagem do Brasil não é apenas uma estratégia de marketing, mas também uma forma de promover o soft power brasileiro na China, conforme explica Theo. O fluxo comercial entre os dois países reforça a relevância dessa abordagem. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou mais de 46 bilhões de dólares para a China, que se consolidou como o principal destino das exportações brasileiras, absorvendo cerca de um terço de toda a produção nacional.
A Copa do Mundo representa uma oportunidade ímpar para marcas brasileiras, permitindo que não apenas produtos sejam vendidos, mas que a própria identidade cultural do Brasil seja exportada. Pelé e Neymar, com seu reconhecimento imediato, proporcionam uma vantagem competitiva em um mercado tão saturado como o chinês. Assim, a conexão entre futebol e publicidade se torna uma vitrine essencial para a promoção de produtos e valores brasileiros no exterior.




