Em 2025, o Pantanal vivenciou sérios problemas relacionados à crise hídrica, consolidando-se como o bioma mais afetado do Brasil. De acordo com dados do relatório do MapBiomas, a superfície de água na região atingiu 679 mil hectares, o que representa 56% abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. Apesar de uma leve melhora em relação a 2024 — ano marcado por uma das secas mais severas das últimas décadas —, o cenário permanece crítico. Durante todos os meses do ano, a região não conseguiu se manter na média das últimas quatro décadas, um padrão que gera preocupação entre especialistas, pois sugere uma mudança estrutural nas dinâmicas hídricas do bioma.
Pesquisadores têm alertado que, nos últimos anos, o Pantanal tem enfrentado um ciclo de secas prolongadas e a diminuição da intensidade de cheias sazonais, que são essenciais para o funcionamento do ecossistema. Mariana Dias, pesquisadora da equipe do Pantanal do MapBiomas, destaca que, nas décadas de 1980, a região era caracterizada por grandes inundações, em contraste com a realidade atual, onde as estiagens dominaram. Ela afirma que as alterações observadas não podem mais ser consideradas apenas como variações pontuais, mas sim como uma transformação significativa no comportamento hidrológico da área.
A crise hídrica tem seus impactos concentrados nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde municípios como Corumbá (MS) e Cáceres (MT) registraram perdas relevantes na superfície de água em comparação à média histórica. Essa situação compromete atividades econômicas relacionadas ao ciclo das águas, evidenciando a relação intrínseca entre a água e a sustentabilidade local.
Além disso, o relatório enfatiza que o Pantanal foi o único bioma do Brasil a apresentar valores consistentes abaixo da média histórica durante todo o ano de 2025. Embora tenha se notado um aumento de 34% em comparação a 2024, ainda assim o bioma está longe de alcançar um padrão de normalidade.
Em contraste, a Amazônia conseguiu registrar uma leve recuperação da superfície hídrica em 2025, superando a média histórica em 2,6%. Esse aumento foi impulsionado pelas chuvas em diversas regiões, embora a recuperação não tenha sido uniforme, com cerca de 37% das sub-bacias ainda apresentando níveis de água abaixo do esperado. Os estados do Pará e Amazonas se destacaram com ganhos significativos, com aumentos de 142 mil hectares e 87 mil hectares, respectivamente.
Apesar dessa recuperação, especialistas alertam que os eventos climáticos extremos e a variabilidade das chuvas continuam a afetar a resiliência do bioma amazônico, sinalizando que o cenário permanece instável a longo prazo, mesmo após a melhora observada em 2025.




