A Justiça realizou, na tarde desta sexta-feira (12), uma audiência de instrução e julgamento No Fórum de Campo Grande, onde foram ouvidas testemunhas de defesa de réus envolvidos em uma investigação relacionada ao clã Razuk e à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A sessão, que teve início por volta das 13h30, durou aproximadamente uma hora e contou com a participação de testemunhas ligadas ao réu Samuel Ozório Júnior. Este é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como um dos responsáveis pela expansão das atividades do grupo para o interior do Estado.
Durante a audiência, o advogado de Samuel, Tiago Bunning, informou que cinco testemunhas foram ouvidas, todas confirmando que o réu nunca teve qualquer envolvimento com o jogo do bicho. O processo tramita sob sigilo e já conta com 102 testemunhas arroladas até o presente momento. O advogado Luiz Kevin Barbosa, que representa Flávio Henrique Espíndola Figueiredo, outro réu identificado como membro da organização que alugou o primeiro imóvel usado como o "QG" do grupo, ressaltou que a fase de instrução ainda está em andamento e novas oitivas ocorrerão antes dos interrogatórios de defesa dos réus.
O advogado esclareceu que a presença de defensores e acusados sem interesse direto nas oitivas foi dispensada, resultando em apenas três advogados presentes fisicamente, enquanto os demais acompanharam a audiência por videoconferência. Ao longo da semana, outras audiências foram realizadas, incluindo a de testemunhas de defesa de Jhonatan Gimenez Grance, conhecido como "Cabeza", que também integra a lista de réus da Operação Successione.
Essa operação, deflagrada em novembro de 2025 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, envolve réus como Roberto Razuk e seus filhos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Também fazem parte do processo Rhiad Abdulahad, Flávio Henrique Espíndola Figueiredo e outros investigados que são acusados de compor a estrutura responsável pela exploração e expansão do jogo do bicho no Estado.
O Gaeco aponta que a organização criminosa teria aumentado suas atividades após o enfraquecimento de grupos rivais e tinha planos de expandir seus negócios para outras regiões do País. As investigações revelam práticas como lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial, essenciais para a manutenção das atividades ilícitas.
O cronograma das audiências segue ativo, e na próxima sexta-feira (19), a Justiça ouvirá as testemunhas de defesa de Paulo Roberto Franco Ferreira. A fase de interrogatório dos réus será iniciada somente após a conclusão da produção de provas testemunhais.




