A China, embora seja a segunda maior economia do mundo, não se classificou para a Copa de 2026. Desde 2011, o governo de Xi Jinping tem promovido um projeto ambicioso para transformar o país em uma potência futebolística, mas o cenário atual é marcado por crises financeiras, corrupção e uma falta de cultura esportiva sólida.
Em 2011, Xi Jinping expressou três grandes objetivos para o futebol chinês: qualificar-se novamente para uma Copa do Mundo masculina, sediar o torneio e conquistar o título mundial. Para isso, em 2016, foi lançada uma estratégia nacional que incluía a construção de 70 mil campos e a meta de ter 30 milhões de crianças praticando o esporte até 2020. Contudo, a realidade mostrou que o país possui menos jogadores registrados do que a Inglaterra, que tem uma população significativamente menor.
A partir de 2015, equipes da Superliga Chinesa começaram a investir pesadamente na contratação de estrelas internacionais, como os brasileiros Oscar e Hulk, além do argentino Carlos Tévez. Treinadores renomados, como Luiz Felipe Scolari, também foram atraídos para trabalhar no país. No entanto, o foco das empresas que financiavam os clubes não era apenas o futebol; havia um interesse em agradar ao governo comunista para facilitar o acesso a empréstimos e terrenos, resultando em um crescimento financeiro insustentável.
O suporte financeiro do futebol chinês vinha de grandes incorporadoras imobiliárias. Com a crise no setor imobiliário, o financiamento começou a escassear. Um exemplo notável foi a falência do Guangzhou Evergrande, que foi octacampeão nacional e teve sua extinção anunciada no início de 2025. Nos últimos anos, mais de 40 clubes profissionais encerraram suas atividades devido a dívidas insustentáveis e à falta de uma estrutura financeira sólida na liga.
O cenário do futebol na China foi ainda mais comprometido por uma série de escândalos de manipulação de resultados e subornos. Recentemente, nove times sofreram penalizações, e mais de 70 pessoas foram banidas, incluindo Li Tie, ex-treinador da seleção nacional, que foi condenado a 20 anos de prisão. Especialistas destacam que a interferência política excessiva e uma filosofia imposta sem um foco real na formação de atletas criaram um ambiente propenso a irregularidades.
Entre 2020 e 2022, a China implementou algumas das medidas de bloqueio mais rigorosas do mundo, o que forçou a realização de campeonatos em bolhas sanitárias e com estádios vazios por longos períodos. Essa situação não apenas afastou o público dos jogos, mas também dificultou a contratação e a permanência de jogadores e técnicos estrangeiros de alto nível. Embora a pandemia não tenha sido a única causa do insucesso do projeto esportivo, as políticas sanitárias exacerbaram uma crise já existente no futebol chinês.




