Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais revelou que quatro em cada dez idosos que residem em áreas urbanas do Brasil têm receio de sofrer quedas devido a defeitos em calçadas, passeios e vias públicas próximas de suas residências. O temor é mais acentuado entre as mulheres, com um índice que ultrapassa os 50%, enquanto entre os homens, esse percentual chega a 32%.
Além do medo de quedas, o estudo também abordou a questão da violência urbana, que gera uma sensação de insegurança constante entre os idosos. Aproximadamente 12% dos entrevistados consideram suas vizinhanças como muito inseguras, refletindo um ambiente marcado pelo medo e pela vulnerabilidade social. Essa percepção é uniforme entre homens e mulheres de diferentes faixas etárias, afetando a saúde mental e a interação social desse grupo.
A coordenadora do estudo, Maria Fernanda Lima Costa, enfatiza a necessidade urgente de políticas públicas que adaptem as cidades para atender a uma população em envelhecimento. Ela destaca que as prioridades devem incluir melhorias em acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo. A Organização Mundial de Saúde possui uma iniciativa voltada para a construção de cidades que sejam amigáveis aos idosos, garantindo que possam viver com autonomia e bem-estar.
"É fundamental que nossas cidades sejam adaptadas para que os idosos possam viver melhor. Não podemos adiar essa tarefa por muito tempo", afirmou Maria Fernanda.
Outro ponto importante abordado no estudo é a perda da capacidade funcional dos idosos. Os dados indicam que 20,4% da população idosa brasileira, o que equivale a cerca de 6,5 milhões de pessoas, enfrenta dificuldades para realizar pelo menos uma atividade básica do dia a dia, como se vestir, tomar banho, comer, utilizar o banheiro ou levantar da cama, necessitando de uma rede de apoio para essas atividades.
A pesquisa aponta que a maioria dos idosos que precisam de assistência é cuidada por mulheres da família, que frequentemente abrem mão de seus empregos e atividades para fornecer os cuidados necessários. No entanto, apenas 5% dessas cuidadoras possuem formação ou treinamento específico para lidar com a assistência a idosos.




