O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) executou uma operação de manutenção na Torre do Sistema Pantera, localizada na Serra do Amolar, em parceria com a Marinha do Brasil. A ação, realizada em 3 de outubro, visou garantir o monitoramento em tempo real contra incêndios florestais no Pantanal, através da substituição de quatro baterias responsáveis pela operação contínua do sistema, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Esses equipamentos são essenciais para o funcionamento das câmeras de alta resolução instaladas na estrutura.
A manutenção ocorreu em um período considerado não crítico, conforme avaliação de órgãos federais, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), em relação a possíveis ondas de calor e estiagens severas previstas para o ano de 2023. A logística da operação foi complexa, especialmente pela necessidade de proteger áreas isoladas do Pantanal. Sem a ajuda do helicóptero da Marinha, a equipe técnica teria que utilizar transporte terrestre e fluvial, levando ao menos três dias para concluir a manutenção.
O transporte manual de mais de 120 kg de equipamentos e insumos seria um dos maiores desafios, exigindo que os trabalhadores escalassem uma morraria com altitude de 600 metros acima do nível do mar. O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, destacou a importância da parceria com a Marinha do Brasil nas ações de proteção ao Pantanal. Desde que o Sistema Pantera começou a operar em 2022, essa colaboração tem sido fundamental para manter a efetividade do monitoramento.
Rabelo enfatizou que a detecção de fumaça realizada pelo sistema ocorre entre 3 a 5 minutos após o surgimento do fogo, o que é crítico para o planejamento de ações preventivas. Em contraste, sistemas satelitais costumam levar horas para identificar o início de um incêndio. Diante das previsões de condições severas para o segundo semestre, ele ressaltou a necessidade de agir de forma preventiva e estratégica.
O Sistema Pantera é vital para comunidades remotas que não dispõem dos mesmos recursos de proteção contra fumaça que áreas urbanas, ficando mais vulneráveis a incêndios. O Instituto Homem Pantaneiro, fundado em 2002 em Corumbá (MS), é uma organização sem fins lucrativos que atua na conservação do Pantanal e na valorização da cultura local. Suas atividades incluem a gestão de áreas protegidas e o apoio a pesquisas científicas, sempre buscando promover o diálogo entre os diversos atores envolvidos na conservação ambiental.
As principais ações do IHP estão voltadas para a proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e apoio ao desenvolvimento sustentável, em parceria com comunidades tradicionais e povos originários. Além disso, a instituição integra o Observatório Pantanal e o Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul.



