Na eleição presidencial da Colômbia, realizada no último domingo (31), o advogado e candidato de direita Abelardo de la Espriella e o senador Iván Cepeda, representante do presidente esquerdista Gustavo Petro, foram os mais votados. Eles vão disputar o segundo turno no dia 21 de junho, em uma corrida que definirá quem assumirá a presidência até 2030.
Abelardo de la Espriella, de 47 anos, é o criador do movimento Defensores da Pátria. Suas propostas econômicas, que incluem liberdade econômica e cortes de gastos públicos, o aproximam do presidente argentino Javier Milei, que adotou o leão como símbolo em sua campanha. Na campanha colombiana, Espriella adota o tigre como emblema, refletindo sua postura conservadora.
Além de defender restrições ao aborto, Espriella se posiciona favoravelmente a medidas severas contra o crime organizado, o que o coloca em um paralelo com o presidente salvadorenho Nayib Bukele. O candidato tem se mostrado crítico em relação ao governo de Petro, afirmando que o presidente dá respaldo à cadeia do narcotráfico no país.
Contudo, Espriella também enfrenta controvérsias. Ele chegou a ser criticado por sugerir a legalização de 10% do dinheiro oriundo de crimes, como o narcotráfico. Em uma entrevista, questionou: "Por que não legalizar 10% do capital ilegal que existe atualmente na Colômbia devido ao narcotráfico, à mineração ilegal e a todos os tipos de crimes?".
Sua atuação como advogado foi marcada por polêmicas, incluindo sua defesa de Jorge Visbal, ex-senador ligado à Federação Colombiana de Pecuaristas, que foi condenado por vínculos com o grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia. Apesar de ter sido investigado, sua defesa foi arquivada em 2009 pela Procuradoria-Geral.
Do lado oposto, Iván Cepeda, do Polo Democrático Alternativo, tem suas raízes em um histórico político que inclui críticas à extrema direita. Ele foi alvo de acusações por sua suposta relação com ex-líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), como Jesús Santrich, tendendo a polarização entre seus apoiadores e opositores.




