As exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para a China registraram um aumento significativo de 57,45% entre janeiro e abril de 2023, em comparação ao mesmo período de 2025. Os dados foram analisados pelo economista Daniel Massen Frainer, professor da UEMS e doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Este crescimento ocorre mesmo diante das restrições impostas pela China às compras de carne brasileira.
Durante os quatro primeiros meses de 2023, o estado exportou 41.642.061 quilos de carne bovina para o mercado chinês, um volume consideravelmente superior aos 26.448.106 quilos embarcados no mesmo período do ano anterior. Em termos financeiros, a receita das exportações quase dobrou, alcançando US$ 250,574 milhões, em contraste com os US$ 130,602 milhões registrados no mesmo intervalo de 2022.
O desempenho das exportações de MS para a China superou em quase três vezes a média nacional, que teve um crescimento de 19% no mesmo período. O economista Frainer observou que esse aumento reflete a conquista de mercado na China e não necessariamente uma antecipação de contratos devido à limitação de cota de 1,1 milhão de toneladas anuais, que inclui uma tarifa de 12%.
Essa cota, que entrou em vigor em janeiro de 2023, deve ser esgotada até junho, conforme previsões de especialistas. Após o limite ser atingido, os embarques adicionais estarão sujeitos a uma taxa de 55%, medida que permanecerá em vigor até dezembro de 2028.
Analisando os números, o volume permitido pela cota representa uma redução de cerca de 600 mil toneladas em relação aos embarques de 2025, quando a China importou aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil. A análise do cenário mostra que, apesar das dificuldades, os grandes frigoríficos, como a JBS, estão se adaptando e ampliando sua presença no mercado externo, enquanto os menores frigoríficos, voltados para o mercado interno, devem sentir menos os efeitos das novas tarifas.
O crescimento das exportações de carne bovina é um indicativo da competitividade do Brasil, especialmente em relação aos preços e à qualidade do produto. O professor Frainer também destacou que a China, diante das tensões comerciais e incertezas no mercado global, está investindo em segurança alimentar e diversificando seus fornecedores. Essa estratégia visa reduzir a dependência de importações e fortalecer a produção interna de alimentos, o que pode impactar as relações comerciais futuras.




