Marguerite Barankitse, uma mulher católica natural do Burundi, se destacou por sua atuação humanitária ao resgatar e cuidar de dezenas de milhares de crianças afetadas por conflitos étnicos. Ela é a Fundadora da Maison Shalom, uma organização que se tornou um símbolo de esperança e transformação, não apenas no Burundi, mas também em Ruanda, onde continua sua missão de promover dignidade e paz.
A história de Marguerite começou em 1993, em meio a um golpe de Estado no Burundi. Após presenciar a execução de 72 pessoas próximas, ela conseguiu fugir com 25 crianças de diferentes etnias, hutus e tutsis, em direção a uma igreja católica. Esse evento traumático, que quase a fez perder a fé e a esperança, foi o catalisador para a criação de uma rede de apoio que salvou inúmeras vidas durante a guerra civil.
A Maison Shalom, que também é conhecida como Casa da Paz, vai além de oferecer abrigo; a organização proporciona educação, assistência médica e apoio psicológico às crianças órfãs. O objetivo principal é romper o ciclo de ódio e vingança entre as comunidades étnicas, ensinando o valor do perdão e da reconciliação. Marguerite acredita que o amor é uma força poderosa capaz de construir futuros melhores.
A determinação de Marguerite a levou a cruzar zonas de guerra, salvando órfãos em situações extremas. Em um episódio marcante, ela resgatou um bebê de quatro meses que estava ferido, encontrado nas costas de sua mãe falecida. Em outra ocasião, enfrentou passageiros em um aeroporto que tentavam impedir a passagem de uma menina gravemente ferida no pescoço, garantindo assim a sobrevivência de crianças que precisavam de ajuda.
Em 2015, Marguerite teve que deixar o Burundi devido a ameaças de violência e instabilidade política. Ela se estabeleceu em Ruanda, onde não apenas continuou suas atividades, mas também fundou o Oásis da Paz. Esta iniciativa já atendeu mais de 70 mil refugiados burundianos, oferecendo serviços que vão desde microfinanciamentos para famílias até educação e formação profissional para crianças em situação de vulnerabilidade em Kigali.
A fé católica é a base da missão de Marguerite. Ela acredita que o cristianismo envolve, acima de tudo, a restauração da dignidade humana. Para ela, cada indivíduo é feito à imagem de Deus e merece respeito, independentemente de suas experiências traumáticas. Mesmo após vivenciar crises espirituais profundas devido à brutalidade da guerra, Marguerite reafirma que o amor prevalece sobre o ódio e continua a lutar pela transformação do mundo através da compaixão.




