A ONG Prisoners Defenders, que atua na defesa dos direitos dos prisioneiros, revelou nesta segunda-feira (25) que apenas um prisioneiro político foi confirmado entre as 2.010 pessoas que receberam indulto pelo governo cubano. A lista dos beneficiados foi publicada quase dois meses após o anúncio da medida.
Em comunicado, a organização com sede em Madri informou que, ao analisar a lista divulgada no Diário Oficial, identificou apenas Iván Leydis Acosta Matos como o único preso político liberado. O jovem de 25 anos foi detido em 12 de junho de 2023. Além dele, a ONG encontrou pelo menos cinco casos de nomes semelhantes aos de prisioneiros políticos, mas com diferenças significativas, como variações na ordem dos sobrenomes ou nomes diferentes.
A Prisoners Defenders afirmou que continuará a investigar cada caso individualmente, na expectativa de identificar outros prisioneiros políticos que possam ter sido incluídos no indulto, mas que não foram reconhecidos até o momento.
No relatório de abril sobre a situação dos detidos em Cuba, a organização destacou que as libertações de 51 e 2.010 prisioneiros, anunciadas pelo regime, foram marcadas por falta de clareza e exclusão deliberada da maioria dos prisioneiros políticos. Dentre os 51 libertados, apenas 27 eram prisioneiros políticos, enquanto os demais eram criminosos comuns.
Em abril, a ONG registrou um total de 1.260 prisioneiros políticos detidos nas cadeias da ilha, o que ressalta a gravidade da situação dos direitos humanos em Cuba. A discrepância entre os números de indultados e a realidade dos prisioneiros políticos levanta questões sobre a transparência e a sinceridade das ações do governo cubano em relação à libertação de prisioneiros.




