O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação na Justiça na sexta-feira (22) com o objetivo de proibir o uso do glifosato no Brasil. Este herbicida, considerado o mais vendido globalmente, é amplamente utilizado na agricultura em larga escala. A ação foi movida contra a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o governo federal, solicitando a suspensão do registro de produtos que contenham glifosato e seus derivados, além da proibição de suas autorizações para produção, exportação, importação e comercialização no país.
Na fundamentação da ação, os procuradores ressaltam os riscos à saúde humana, à saúde ocupacional e ao ambiente de trabalho. Em Mato Grosso do Sul, o pedido de proibição reflete uma realidade já documentada por pesquisas, embora com um foco mais amplo. Um relatório elaborado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida aponta a exposição contínua de comunidades indígenas e camponesas a agrotóxicos em diversas regiões do estado.
O estudo, que não se limita apenas ao glifosato, destaca relatos de comunidades sobre a incidência de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em áreas com intenso uso do herbicida, além de registros de recém-nascidos com cardiopatias congênitas. Contudo, o relatório enfatiza que não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre o uso do glifosato e esses problemas de saúde.
Entre os problemas identificados Em Mato Grosso do Sul, estão a deriva de pulverização, o forte odor de produtos químicos próximo às residências, a insegurança quanto à qualidade da água e a perda de lavouras de subsistência. Moradores relataram sintomas após contato com produtos químicos. A pesquisa foi realizada com comunidades indígenas e camponesas entre março e agosto de 2025.
O glifosato ganhou notoriedade mundial por seu uso no controle de ervas daninhas, especialmente em monoculturas. O herbicida é encontrado em formulações de grandes empresas químicas e se popularizou com o desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas resistentes a ele, como soja e milho. A notoriedade do glifosato também se relaciona com a Bayer, que adquiriu a Monsanto em 2016, a qual foi uma das principais responsáveis pela popularização do herbicida desde a década de 1970.
Nos Estados Unidos, o uso do glifosato também é alvo de disputas judiciais. Processos contra a Bayer alegam que o uso de produtos à base desse herbicida pode estar ligado a doenças como linfoma não-Hodgkin e mieloma múltiplo. A empresa, no entanto, afirma que não há evidências que justifiquem preocupações sobre a segurança de seus produtos à base de glifosato.




