A construção das pirâmides do Egito sempre foi envolta em mistério e especulação. Mais de quatro mil anos após sua edificação, a questão de como os egípcios erigiram essas imensas estruturas ainda carece de uma resposta definitiva. Contudo, um estudo recente, publicado em março de 2026 na revista Nature, trouxe novos insights que podem ajudar a esclarecer essa antiga dúvida.
A pesquisa foi realizada pelo espanhol Vicente Luis Rosell Roig, que propõe um sistema de rampas integradas à própria estrutura das pirâmides. A nova teoria sugere a utilização do modelo IER (Integrated Edge-Ramp), que consiste em rampas embutidas nas bordas das pirâmides, formando uma espiral que acompanhava a elevação da construção. Essa abordagem se diferencia das especulações anteriores que defendiam rampas externas ou túneis internos sem evidências arqueológicas.
De acordo com o modelo apresentado, os trabalhadores deixavam lacunas nas bordas de cada andar da pirâmide, criando um corredor de aproximadamente 3,8 metros de largura. Nesse espaço, os blocos de pedra, que pesavam em média 2,3 toneladas, eram transportados por trenós sobre areia molhada, o que reduzia o atrito. Grupos de até 32 trabalhadores eram responsáveis por empurrar os blocos em uma inclinação de 7 graus, utilizando cordas, alavancas e postes de madeira, sem a ajuda de ferro ou maquinaria moderna.
Para otimizar o tempo de construção, o sistema sugerido por Rosell Roig prevê a utilização de até 16 rampas simultaneamente nas fases iniciais da obra, número que diminuiria conforme a construção avançasse. Nesse ritmo, um bloco poderia ser posicionado a cada 4 a 6 minutos, possibilitando a conclusão da pirâmide em um intervalo de 20 a 27 anos, o que coincide com o reinado do faraó Quéops.
Outro aspecto intrigante do estudo diz respeito aos espaços vazios já identificados no interior da Grande Pirâmide por meio de muografia. Caso as bordas da pirâmide apresentem os desgastes previstos pelo modelo ou se os vazios internos corresponderem às projeções, a hipótese de Rosell Roig poderá ser confirmada ou refutada. O consenso sobre a construção da Grande Pirâmide, que ocorreu por volta de 2.560 a.C., durante o reinado de Quéops, é que foi realizada por equipes organizadas de trabalhadores especializados, e não por escravos, como frequentemente se acredita.
A cada nova pesquisa, a ciência se aproxima mais de desvendar os segredos por trás da construção das pirâmides de Gizé. Embora muitos mistérios ainda permaneçam, cada estudo contribui para uma melhor compreensão de uma das mais grandiosas obras já levantadas na história da humanidade.




