A Guiana experimentou um aumento substancial em suas receitas de petróleo, alcançando um recorde de US$ 761 milhões no primeiro trimestre de 2026. Essa elevação nas finanças está diretamente ligada à alta dos preços internacionais do barril, resultado do fechamento parcial do Estreito de Ormuz em meio ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
O fechamento do Estreito de Ormuz impactou o fornecimento global de petróleo, uma vez que cerca de 20% do petróleo do mundo passa por essa rota estratégica. Com a Guiana se estabelecendo como uma exportadora segura de petróleo para mercados ocidentais, o país apresentou um aumento de 68% em sua receita de vendas semanais, aproveitando-se da demanda crescente.
Desde 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Europa tem buscado fontes de energia alternativas. O petróleo guianense é reconhecido pela sua 'alta qualidade', pois é mais fácil de refinar e apresenta um custo de extração reduzido. Outro fator que contribui para essa atratividade é a localização das jazidas, que estão em águas tranquilas e distantes de conflitos, oferecendo segurança política aos compradores que evitam o Golfo Pérsico.
Em termos de crescimento econômico, a Guiana se destaca como o país com a maior expansão de PIB na América do Sul, registrando uma média de 47% ao ano. A produção de petróleo no país superou 900 mil barris por dia em 2026, posicionando a Guiana como o terceiro maior produtor do continente, superado apenas por Brasil e Venezuela. Apesar dessa ascensão econômica, o país enfrenta situações sociais críticas, com 58% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza.
Outro aspecto interessante é que, apesar de ser um grande exportador de petróleo bruto, a Guiana não possui refinarias. Isso implica que o país deve vender seu petróleo não processado e, em seguida, importar combustíveis já refinados, como gasolina e diesel. Essa realidade pode levar a contratempos, como a crise de escassez de combustível que ocorreu em abril de 2026, resultante de atrasos logísticos globais.
A agilidade regulatória da Guiana e os contratos atrativos oferecidos a investidores como ExxonMobil e a chinesa CNOOC são vistos como fatores-chave para o crescimento do setor de petróleo do país. O sucesso da Guiana está sendo apontado como um argumento a favor da exploração da Margem Equatorial brasileira, que possui características geológicas semelhantes. Enquanto o Brasil ainda debate questões ambientais, a Guiana já avançou com a exploração de poços e a formação de um Fundo Soberano com as riquezas obtidas.




